
Alt Text: Ilustração 3D de um estudante feliz compreendendo as regras de concordância verbal dos verbos haver, fazer e da partícula se.
Você já teve aquela sensação de ler uma frase na prova, achar que ela soa estranha, marcar como "errada" e depois descobrir que o gabarito dizia que estava certa? Ou pior: aquela frase que soa macia aos ouvidos, como uma música, mas que esconde um erro gramatical fatal?
Se a resposta for sim, bem-vindo ao clube. A concordância verbal é, sem dúvida, um dos pilares da Língua Portuguesa que mais derruba candidatos preparados. O problema não é a regra básica (o verbo concorda com o sujeito). O problema real — e é aqui que as bancas armam suas arapucas — são as exceções, os casos especiais e aquelas "pegadinhas" que desafiam a nossa intuição auditiva.
Neste artigo, vamos mergulhar fundo, muito fundo, no "trio de ouro" das bancas examinadoras: o verbo Haver, o verbo Fazer e a temida Partícula Se. Esqueça a decoreba vazia. Vamos entender a lógica por trás dessas regras para que você nunca mais hesite diante de uma questão de certo ou errado. Prepare seu café, ajuste a cadeira e vamos desmistificar esses vilões.
Para dominar a concordância, o primeiro passo é parar de procurar o sujeito onde ele não existe. A nossa intuição tenta achar um "culpado" para a ação do verbo, mas, em alguns casos, a gramática determina que a oração é sem sujeito. E se não tem sujeito, com quem o verbo vai concordar? Com ninguém. Ele fica "travado" na terceira pessoa do singular.
É aqui que entram os nossos dois primeiros protagonistas: Haver e Fazer.
O verbo haver é o campeão absoluto de erros em redações e questões objetivas. Por que ele é tão difícil? Porque ele tem "dupla personalidade". Ora ele é impessoal, ora ele tem sujeito. Saber diferenciar isso é a chave da aprovação.
Esta é a regra de ouro. Sempre que você puder trocar o verbo haver por existir, acontecer ou ocorrer, ele se torna impessoal. Isso significa que ele não tem plural. Jamais.
Imagine a frase: "Havia muitos candidatos na sala". Muitos candidatos "existiam". Logo, o havia fica no singular. Se você escrever "haviam muitos candidatos", acabou de cometer um erro grave. O verbo haver, aqui, não olha para "muitos candidatos". Ele reina sozinho, soberano, no singular.
• Correto: Houve problemas na prova. (Ocorreram problemas).
• Errado: Houveram problemas na prova.
Aqui é onde o nível sobe e onde a maioria cai. Quando o verbo haver (com sentido de existir) funciona como o verbo principal de uma locução verbal (aquela estrutura com dois verbos juntos), ele é "contagioso". Ele passa a sua impessoalidade para o verbo auxiliar.
Pense na frase: "Deve haver soluções para o país". O verbo principal é haver (sentido de existir). Logo, ele é impessoal. O verbo auxiliar (deve) é obrigado a concordar com essa impessoalidade. Portanto, ele também fica no singular.
• Errado: Devem haver soluções.
• Correto: Deve haver soluções.
• Errado: Podem haver impressões digitais.
• Correto: Pode haver impressões digitais.
Perceba a maldade: se trocarmos haver por existir, tudo muda! O verbo existir tem sujeito e concorda com ele.
• Com Haver: Deve haver soluções.
• Com Existir: Devem existir soluções.
Essa troca é a pegadinha clássica. O examinador pede para você substituir "haver" por "existir" e manter a estrutura. Se você não ajustar o auxiliar para o plural, você erra. Lembre-se: Haver (existir) contamina o auxiliar com o singular. Existir obriga o auxiliar a ir para o plural.
Quando indica tempo passado, o haver também é impessoal.
• "Há anos não vejo meu nome na lista de aprovados."
• "Havia meses que não chovia."
Nada de "hão anos" ou "haviam meses". É sempre singular.

Alt Text: Balança comparando o peso gramatical: o verbo existir flexiona (pesado), enquanto o verbo haver impessoal flutua no singular (leve).
O Verbo Fazer: O tempo não perdoa (e nem vai para o plural)
O verbo fazer segue uma lógica muito parecida com a do haver quando se trata de tempo decorrido ou fenômenos da natureza.
Você já ouviu alguém dizer "Fazem cinco anos que moro aqui"? Dói o ouvido, não é? Mas é um erro extremamente comum na linguagem oral. Na norma culta, exigida na sua prova, o verbo fazer indicando tempo é impessoal.
• Errado: Fazem dez dias.
• Correto: Faz dez dias.
• Errado: Vão fazer duas semanas.
• Correto: Vai fazer duas semanas.
Note que, assim como no verbo haver, se o fazer estiver em uma locução verbal indicando tempo, ele "contamina" o auxiliar, deixando tudo no singular. "Deve fazer cinco anos", e nunca "Devem fazer cinco anos".
Dica de Mestre: Nunca use o verbo "TER" para substituir "HAVER" ou "FAZER" em contextos formais de tempo ou existência (ex: "Tem gente aqui"). Na fala é aceito, na prova é erro.
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Se o verbo haver é o rei das pegadinhas, a partícula se é a rainha da confusão. Ela aparece em todo lugar e com funções diferentes. Para concordância verbal, precisamos focar em duas funções críticas: a Partícula Apassivadora (PA) e o Índice de Indeterminação do Sujeito (IIS).
Confundir um com o outro é fatal, pois um exige plural e o outro proíbe. Como diferenciá-los? Olhando para a transitividade do verbo. Como dizem os especialistas: "Diga-me com quem o SE anda, que lhe direi quem o SE é".
Quando o "se" está ligado a um Verbo Transitivo Direto (VTD) ou Transitivo Direto e Indireto (VTDI), ele funciona como uma partícula apassivadora. Isso significa que a frase está na Voz Passiva Sintética.
O segredo aqui é: tem sujeito! E se tem sujeito, o verbo tem que concordar com ele. O sujeito, neste caso, é a "coisa" que sofre a ação (sujeito paciente).
Analise comigo: "Vende-se casa." Quem vende, vende algo (VTD). "Casa" é o sujeito paciente. Casa é vendida. Singular com singular.
Agora, e se fossem "casas"? "Vendem-se casas." Por que plural? Porque "Casas são vendidas". O verbo concorda com o sujeito paciente.
O Pulo do Gato: Tente transformar a frase para a voz passiva analítica (aquela com o verbo ser). Se der certo, o verbo com "se" deve variar.
• Aluga-se apartamento. (Apartamento é alugado -> OK).
• Alugam-se apartamentos. (Apartamentos são alugados -> OK).
• Construíram-se novos prédios. (Novos prédios foram construídos -> OK).
Se a frase na voz passiva analítica fizer sentido, você está diante de uma Partícula Apassivadora e a concordância é obrigatória.
Agora, o cenário muda. Se o "se" estiver ligado a um:
• Verbo Transitivo Indireto (VTI) (aquele que pede preposição);
• Verbo Intransitivo (VI) (que não pede complemento);
• Verbo de Ligação (VL);
Então, não há sujeito paciente. O sujeito é indeterminado. E a regra para sujeito indeterminado com "se" é clara: o verbo deve ficar obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular. É como se o "se" fosse um cadeado que trava o verbo no singular.
• "Precisa-se de funcionários."
◦ Quem precisa, precisa de algo (VTI). A preposição "de" impede que "funcionários" seja o sujeito. Logo, o verbo não vai para o plural. Jamais escreva "Precisam-se".
• "Trata-se de casos graves."
◦ O verbo tratar (no sentido de referir-se) é VTI. O sujeito é indeterminado. Fica no singular, mesmo que "casos graves" esteja no plural.
• "Vive-se bem aqui." (Verbo Intransitivo + Se = Singular).
Atenção à Preposição: Viu uma preposição (de, em, a, com) logo depois do verbo com "se"? É um sinal de alerta gigante piscando em neon: "MANTENHA O SINGULAR!".

Alt Text: Diagrama explicando visualmente a diferença entre partícula apassivadora que aceita plural e índice de indeterminação que trava o verbo no singular.
Resumo da Ópera do "SE":
1. Olhe para o verbo.
2. Ele pede preposição obrigatória?
◦ SIM (VTI): Singular sempre. (Ex: Acredita-se em milagres).
◦ NÃO (VTD): Concorda com a "coisa". (Ex: Não se pouparam esforços).
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Agora que você já domina os gigantes, vamos aos detalhes que separam os aprovados dos demais.
1. A Expressão "Mais de um"
A lógica matemática diz que "mais de um" é plural (1,1 já é mais que 1). Mas a lógica gramatical é diferente. Com a expressão "mais de um", o verbo concorda com o numeral "um". Ou seja, fica no singular.
• "Mais de um candidato errou a questão.".
A Exceção da Exceção: O verbo vai para o plural em dois casos:
1. Se a expressão "mais de um" se repetir. ("Mais de um professor, mais de um aluno reclamaram").
2. Se o verbo indicar reciprocidade (ação mútua). ("Mais de um político se cumprimentaram" - um cumprimentou o outro).
2. Porcentagens: O Jogo Duplo
Quando o sujeito é uma porcentagem, você geralmente tem duas opções de concordância, e as bancas adoram perguntar se "a outra forma" também estaria correta.
O verbo pode concordar com o número ou com o especificador (o termo que vem depois).
• "20% da turma faltou." (Concorda com "da turma").
• "20% da turma faltaram." (Concorda com "20%").
Ambas estão corretas!.
Porém, cuidado: se o número vier determinado por artigo ou pronome, a concordância segue o determinante.
• "Os 20% da turma faltaram." (Aqui, o artigo "Os" força o plural).
3. O Verbo Ser: O "Maria vai com as outras"
O verbo ser é extremamente flexível. Ele tende a concordar com o predicativo (a característica) se isso soar melhor (eufonia) ou se o predicativo for plural e o sujeito for uma "coisa" (não pessoa).
• "Tudo são flores." (Concorda com flores).
• "O problema são as dívidas." (Concorda com dívidas).
Mas se o sujeito for pessoa, a pessoa prevalece:
• "O problema sou eu." (E não "O problema é eu").
4. Nomes Próprios no Plural
Estados Unidos, Minas Gerais, Alpes... O verbo vai para o plural ou fica no singular? Depende do artigo!
• Sem artigo: Verbo no singular. "Minas Gerais produz leite". "Alagoas impressiona."
• Com artigo: Verbo no plural. "Os Estados Unidos investem em tecnologia". "Os Andes são majestosos."
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Agora que você tem a teoria, precisa de uma estratégia prática para a hora H. Quando você abrir o caderno de questões e der de cara com aquele texto enorme cheio de lacunas, siga este roteiro:
1. Identifique o Verbo: Circule o verbo da oração.
2. Pergunte "Quem?": Faça a pergunta "Quem é que [verbo]?" ou "O que é que [verbo]?". A resposta será o sujeito.
3. Verifique a Distância: Muitas vezes, a banca coloca o sujeito lá no início e o verbo três linhas depois, cheio de vírgulas e explicações no meio, só para você esquecer quem é o sujeito. Ignore o que está entre vírgulas e conecte o sujeito direto ao verbo.
4. Teste do "Se": Viu um "se"? Pare tudo. Procure a preposição. Tem preposição? Trava no singular. Não tem? Procura o plural.
5. Radar do "Haver": Viu o verbo haver? Tente trocar por "existir". Se der sentido, garanta que ele esteja no singular, mesmo que a frase esteja cheia de plurais. E cuidado redobrado se ele estiver acompanhado de um auxiliar (pode, deve, vai) — o auxiliar também fica no singular!
Imagine a frase: "Nos relatórios, devem haver erros que não foram vistos."
Vamos analisar como um "sniper" de questões:
1. Locução verbal: "devem haver".
2. Verbo principal: "haver". Sentido de existir? Sim.
3. Regra: Haver (existir) é impessoal e contamina o auxiliar.
4. Diagnóstico: "Devem" está errado. Deveria ser "Deve".
5. Correção: "Nos relatórios, deve haver erros...".
E a segunda parte: "...que não foram vistos".
1. Sujeito: "que" (pronome relativo).
2. Quem esse "que" retoma? "Erros".
3. "Erros" é plural.
4. Concordância: "foram vistos" (plural). Correto!
A concordância verbal não é um bicho de sete cabeças, mas é um jogo de atenção aos detalhes. As bancas sabem que, na linguagem coloquial do dia a dia, nós "escorregamos" no haver, no fazer e no se. Elas apostam que você vai usar o ouvido e não a regra.
Ao estudar, não confie apenas na sonoridade. Force seu cérebro a fazer a análise sintática rápida: onde está o sujeito? É impessoal? Tem preposição? Com esse treino mental, o que antes parecia uma armadilha se tornará o seu ponto forte, garantindo aqueles preciosos pontos que a maioria dos candidatos vai perder. Continue praticando, pois a consistência é a mãe da aprovação.
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