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22/09/2025 • 10 min de leitura
Atualizado em 02/05/2026

1ª Fase do Modernismo Brasileiro: A Ruptura Estética que Mudou a Arte

Entender esse período é o passaporte para gabaritar as questões de literatura que exigem interpretação profunda sobre a construção da nossa identidade nacional.

A 1ª fase do modernismo brasileiro, também conhecida como Fase Heroica (1922-1930), refere-se ao movimento de ruptura radical com as tradições acadêmicas, como o Parnasianismo. Liderada por nomes como Mário de Andrade, a geração buscou criar uma arte genuinamente nacional, valorizando a linguagem coloquial e a liberdade formal.

Fachada de teatro na década de 1920 representando o clima da Semana de Arte Moderna e o início da 1a fase do modernismo brasileiro.

O que foi a 1ª Fase do Modernismo?

Para compreender o que foi a 1 fase do modernismo, precisamos voltar o relógio para a década de 1920. O Brasil passava por intensas transformações urbanas, impulsionadas pela industrialização de São Paulo e pelo declínio lento da política do café com leite.

Nesse cenário de efervescência, um grupo de jovens artistas decidiu que a arte brasileira precisava deixar de copiar os moldes europeus clássicos. O marco inicial desse grito de liberdade foi a Semana de Arte Moderna de 1922, evento realizado no Teatro Municipal de São Paulo. Para quem deseja explorar os documentos originais e o acervo dos intelectuais da época, o Instituto de Estudos Brasileiros da USP é a fonte oficial de preservação dessa memória.

A partir desse evento, inaugurou-se a 1a fase do modernismo: a ruptura. O objetivo central era chocar a burguesia conservadora e destruir os padrões estéticos vigentes, abrindo espaço para uma literatura que falasse a língua real do povo brasileiro.

O Contexto Histórico e as Vanguardas Europeias

Embora o foco fosse a identidade nacional, a 1a fase do modernismo no brasil bebeu diretamente da fonte das vanguardas europeias. Movimentos como o Cubismo, o Futurismo, o Expressionismo e o Dadaísmo forneceram as ferramentas de desconstrução que os brasileiros precisavam.

O Futurismo, por exemplo, emprestou a exaltação da velocidade e da máquina. Já o Cubismo ensinou a fragmentação da realidade. Os artistas brasileiros pegaram essas técnicas importadas e as aplicaram para retratar temas estritamente nacionais, criando uma arte híbrida e revolucionária.

Principais Características da Fase Heroica

A primeira geração modernista assumiu uma postura de combate. Eles precisavam "limpar o terreno" antes de construir algo novo. Por isso, essa época é frequentemente cobrada nas provas exigindo que o candidato identifique o tom irônico e destrutivo dos textos.

A tabela abaixo Traz os valores defendidos pelos modernistas e com os valores da escola literária que eles mais combatiam.

Aspecto Literário

Parnasianismo (O Alvo)

1ª Fase do Modernismo (A Ruptura)

Linguagem

Culta, rebuscada, vocabulário raro.

Coloquial, cotidiana, "falar brasileiro".

Forma Poética

Sonetos, métrica rígida, rimas ricas.

Versos livres, versos brancos, poemas-piada.

Temática

Mitologia grega, vasos, arte pela arte.

O cotidiano, o índio real, o folclore, a cidade.

Tom

Impessoal, objetivo, sério.

Irônico, sarcástico, bem-humorado, crítico.

A Ruptura Estética e a Liberdade de Expressão

A estética da modernismo 1a fase é marcada pela liberdade absoluta. Os escritores abandonaram as regras gramaticais estritas de Portugal e passaram a escrever como o brasileiro efetivamente falava.

Abaixo, listamos as características fundamentais que definem a essência literária deste período:

  • Uso de versos livres (sem métrica definida) e brancos (sem rimas).

  • Valorização do cotidiano e da linguagem coloquial (erros gramaticais propositais).

  • Nacionalismo crítico e ufanista, buscando redescobrir o Brasil.

  • Destruição do academicismo parnasiano e simbolista.

  • Uso do humor, da ironia e do poema-piada como armas de crítica social.

Os Grandes Autores da 1ª Fase do Modernismo Brasileiro

Não é possível construir um modernismo 1 fase resumo sem destacar a trindade que encabeçou o movimento. Cada um desses autores contribuiu de forma única para a consolidação da nova literatura nacional.

Mário de Andrade: O Pesquisador e Organizador

Mário de Andrade foi a mente intelectual por trás do movimento. Ele viajou pelo Brasil pesquisando folclore, ritmos e lendas para incorporar em sua obra. Seu livro de poesias "Pauliceia Desvairada" (1922) é considerado o primeiro livro de poemas modernos do país.

Na prosa, sua obra-prima é indiscutível. A análise de Macunaíma revela um herói sem nenhum caráter que representa a miscigenação e as contradições do povo brasileiro, misturando lendas indígenas com o cenário urbano de São Paulo.

Oswald de Andrade: O Provocador e Teórico

Se Mário era o pesquisador, Oswald de Andrade era o agitador cultural. Dono de um estilo extremamente irônico e fragmentado, ele foi o responsável pelos principais manifestos da época, que ditavam os rumos ideológicos do movimento.

A poesia Pau-Brasil de Oswald de Andrade propunha uma arte de exportação, que mostrasse o Brasil real ao mundo. Mais tarde, com o Manifesto Antropófago, ele sugeriu que o Brasil deveria "engolir" a cultura europeia, digeri-la e transformá-la em algo novo e puramente nacional.

Manuel Bandeira: A Poesia do Cotidiano

Manuel Bandeira não participou presencialmente da Semana de 22 devido a problemas de saúde, mas seu poema "Os Sapos" foi lido no evento e causou enorme alvoroço por ridicularizar os poetas parnasianos.

Bandeira trouxe para a 1a fase do modernismo uma sensibilidade ímpar. Ele transformou cenas banais do dia a dia em poesia de altíssima qualidade, provando que não era necessário usar palavras difíceis para emocionar o leitor.

Máquina de escrever antiga com papéis e café, simbolizando a produção literária dos autores da 1a fase do modernismo brasileiro.

Exemplos Práticos: A Ruptura na Ponta da Caneta

Para fixar o conteúdo, precisamos ver a teoria aplicada na prática. As bancas adoram colocar trechos de poemas e pedir para o aluno identificar as características da fase heroica.

"Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro." (Pronominais - Oswald de Andrade)

Neste poema, Oswald de Andrade ataca diretamente a norma culta. A gramática tradicional exige a ênclise ("Dê-me"), mas o brasileiro no dia a dia usa a próclise ("Me dá"). O autor eleva o "erro" gramatical à categoria de arte, defendendo a identidade linguística do país.

"Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor." (Poética - Manuel Bandeira)

Aqui, Bandeira faz um manifesto pessoal contra a poesia engessada do passado. O "lirismo funcionário público" é uma metáfora brilhante para a poesia parnasiana, que se preocupava mais com as regras, a métrica e o "protocolo" do que com o sentimento verdadeiro.

Modernismo vs. Escolas Anteriores

Um erro comum entre os estudantes é confundir os diferentes tipos de nacionalismo presentes na nossa literatura. As bancas frequentemente cobram a comparação entre a 1a fase do romantismo e a primeira geração modernista.

No Romantismo, o nacionalismo era idealizado e utópico. O índio era retratado como um herói medieval europeu (o bom selvagem), e a natureza brasileira era perfeita e intocada. Era um projeto de nação recém-independente que precisava criar heróis.

Já no Modernismo, o nacionalismo é crítico e realista. Os modernistas olham para o passado com ironia. O índio modernista, como Macunaíma, é preguiçoso, falho e humano. Para aprofundar essa diferença importante, vale a pena revisar a figura do índio no Romantismo vs. Modernismo.

Como a 1 Fase do Modernismo Resumo Cai nas Provas?

Nas provas de linguagens, a cobrança raramente é decoreba. O foco está na interpretação de texto e na capacidade do candidato de relacionar o poema ao seu contexto histórico.

Geralmente, as questões apresentam um texto de Oswald ou Mário de Andrade e pedem para você identificar a quebra de paradigma. Palavras como "coloquialismo", "versos livres", "antropofagia" e "crítica ao academicismo" são os gabaritos mais frequentes.

Para treinar seu olhar clínico sobre esses textos, é altamente recomendável resolver exercícios práticos diretamente na plataforma de questões da Volitivo, onde você pode filtrar por período literário e banca examinadora.

Próximos Passos para Dominar a Literatura Nacional

Dominar a Fase Heroica é apenas o começo. O movimento modernista se desdobrou em gerações seguintes que amadureceram essas ideias iniciais, passando da destruição para a construção de romances regionalistas e poesias filosóficas.

Para garantir que você não perca nenhum detalhe na sua preparação, acesse o nosso guia completo de literatura brasileira para ENEM e vestibulares. Lá, você encontrará a linha do tempo completa e materiais de apoio para estruturar suas revisões com eficiência. Continue explorando a Volitivo para ter acesso a conteúdos direcionados que transformam o seu tempo de estudo em resultados reais.

Referências Bibliográficas

A construção deste material didático baseou-se em grandes teóricos da literatura brasileira, garantindo a precisão histórica e analítica exigida pelos maiores exames do país:

  • BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix.

  • CANDIDO, Antonio. Iniciação à Literatura Brasileira. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul.

  • ANDRADE, Mário de. A Escrava que não é Isaura. São Paulo: Obelisco.

Perguntas Frequentes sobre a 1ª Fase do Modernismo

O que marca o início da 1ª fase do modernismo no Brasil?

O marco inicial oficial é a Semana de Arte Moderna, ocorrida em fevereiro de 1922, na cidade de São Paulo. O evento reuniu exposições de artes plásticas, concertos musicais e recitais de poesia que chocaram a sociedade conservadora da época.

Por que esse período é chamado de Fase Heroica?

Recebe esse nome devido à postura combativa, radical e corajosa dos artistas. Eles agiram como "heróis" ao enfrentar as duras críticas da imprensa e da elite acadêmica para conseguir destruir os padrões estéticos do passado e impor uma nova forma de fazer arte.

Qual a diferença entre o nacionalismo da 1ª fase do modernismo e o da 1ª fase do romantismo?

O nacionalismo romântico era idealizado, ufanista e criava heróis perfeitos (como o índio com valores de cavaleiro medieval). O nacionalismo modernista era crítico, irônico e buscava mostrar o Brasil real, com suas falhas, sua miscigenação e sua linguagem coloquial, sem idealizações.

Quais são os principais manifestos da primeira geração modernista?

Os manifestos mais importantes foram escritos por Oswald de Andrade: o Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924), que defendia uma arte original para exportação, e o Manifesto Antropófago (1928), que propunha a assimilação crítica das influências estrangeiras para criar uma cultura genuinamente brasileira.