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Diagnóstico de Preservação e Conservação de Documentos
Diagnóstico de preservação e conservação é a avaliação técnica do estado físico de um acervo, que identifica danos e define o tratamento de cada documento. Orienta higienização, reparos, acondicionamento e digitalização, com critérios objetivos (pH abaixo de 7 indica papel ácido; exposição máxima de 50 lux).

Quando se fala em arquivos, a primeira imagem costuma ser a da organização da informação: classificação, temporalidade e recuperação. Só que nada disso funciona se o suporte físico se perde. O diagnóstico do estado de conservação é o tema da Arquivologia que garante a existência material da informação, e aparece com frequência nas provas, como mostra o guia completo de Arquivologia para concursos.
Índice
O que é o diagnóstico de preservação e conservação?
Por que o tipo de papel muda o diagnóstico?
Quais são os quatro conceitos cobrados em prova?
Quais agentes de deterioração o diagnóstico identifica?
Como tratar o acervo depois do diagnóstico?
Por que o diagnóstico vem antes da digitalização?
Como acondicionar os documentos após o tratamento?
Como estudar preservação e conservação para concursos?
Prefere revisar em vídeo? Assista à aula abaixo e acompanhe outras explicações no canal do Volitivo no YouTube.
O que é o diagnóstico de preservação e conservação?
O diagnóstico de preservação e conservação funciona como um exame clínico do acervo. Assim como um médico pede exames antes de tratar um paciente, o arquivista levanta as patologias que afetam o papel para decidir o que precisa de intervenção, o que só precisa de nova embalagem e o que pode seguir como está.
Ele não se confunde com o diagnóstico situacional de arquivos, que avalia estrutura, volume documental e condições do órgão como um todo. O foco aqui é a saúde física do documento: suporte, tintas, sujidades, danos estruturais e ataques biológicos.
O resultado orienta toda a política de preservação dentro da gestão de documentos: prioridades de higienização, pequenos reparos, envio para restauração, troca de embalagens e preparação para digitalização ou microfilmagem.
Por que o tipo de papel muda o diagnóstico?
Para preservar, é preciso conhecer o que se preserva. O papel tem cerca de 2.000 anos de história: a tradição atribui sua invenção à China, em 105 d.C., e ele chegou ao Ocidente pelas rotas comerciais. Por ser o principal suporte dos documentos de arquivo, suas características definem boa parte do diagnóstico.
Hoje predominam os papéis industriais, feitos de fibras de madeira. O problema é a lignina, substância natural da madeira que, com o tempo e a exposição à luz, deixa o papel ácido, amarelado e quebradiço, como acontece com o papel de jornal.
No outro extremo está o papel permanente: alcalino, isento de lignina e de colas ácidas, com alta durabilidade. É o material indicado para documentos de guarda longa e para embalagens de conservação. A acidez é medida pelo pH (escala de 0 a 14): abaixo de 7, o papel é ácido e corre risco; acima de 7, é alcalino e mais protegido.
Quais são os quatro conceitos cobrados em prova?
O diagnóstico parte de quatro conceitos que as bancas adoram trocar entre si. A diferença está no grau de intervenção sobre o documento.
Conceito | O que é | Toca no documento? |
|---|---|---|
Preservação | Ações políticas e administrativas de salvaguarda dos registros | Não diretamente (é o conceito mais amplo) |
Conservação preventiva | Controle de ambiente, acondicionamento e manuseio | Não |
Conservação reparadora | Pequenos reparos, como a união de um rasgo | Sim, de forma pontual |
Restauração | Reversão de danos físicos ou químicos graves | Sim, de forma intensa |
Preservação
É o conceito mais amplo: toda ação política e administrativa destinada à salvaguarda dos registros documentais. Funciona como um guarda-chuva que abriga as demais atividades.
Conservação preventiva
Reúne medidas que protegem a integridade do acervo sem tocar na estrutura íntima do documento: controle de temperatura e umidade, caixas adequadas e regras de manuseio que previnem e retardam a degradação.
Conservação reparadora
Aqui há intervenção direta nos materiais do documento para melhorar seu estado físico, consertando pequenos danos causados por manuseio inadequado, como a união de um rasgo.
Restauração
É o nível mais intervencionista: um conjunto de ações técnicas para reverter danos físicos ou químicos graves acumulados ao longo do tempo. Exige conhecimento profundo de química e de técnicas estruturais.
"A conservação preventiva consiste na intervenção direta na estrutura do documento para corrigir rasgos e pequenas perdas."
A afirmação está errada. Intervir diretamente no documento é conservação reparadora (ou restauração, se o dano for grave). A conservação preventiva atua no entorno: ambiente, embalagem e manuseio.
Quais agentes de deterioração o diagnóstico identifica?
Na inspeção, o profissional separa os documentos que precisam de intervenção restauradora daqueles que só precisam de novo acondicionamento. Para isso, registra as patologias encontradas em quatro grupos.

Sujidades e manchas
Poeira é o acúmulo de partículas sólidas sobre o papel. Ela retém umidade na superfície e favorece fungos e reações de oxidação. Gordura vem do manuseio com mãos sujas; com o tempo, oxida, escurece e vira alimento para ataques biológicos.
Manchas de ferrugem surgem da oxidação de grampos, clipes e bailarinas deixados em contato com o papel em ambiente úmido. Já as manchas de cola vêm das fitas adesivas comuns: o papel absorve a cola ácida, a fita perde a aderência e cai, mas deixa uma mancha escura e irreversível no suporte.
Deformações e danos estruturais
Deformações resultam de manuseio ou acondicionamento incorreto, como a dobra no canto da página para marcar a leitura. O diagnóstico também distingue rasgo de ruptura: no rasgo não há perda de material, e as fibras expostas podem ser unidas por conservação reparadora; na ruptura há perda de partes do papel (buracos ou lacunas), o que exige enxertos e técnicas de restauração.
Fatores ambientais e químicos
Auréolas de umidade são marcas circulares deixadas pela água, que arrasta a sujeira para as bordas da mancha. O amarelecimento vem da acidez interna do papel (lignina) somada à oxidação.
A descoloração é a perda de intensidade da tinta pela ação da luz (raios ultravioleta e infravermelhos). O efeito é cumulativo e irreversível, por isso áreas de exposição devem respeitar o limite de 50 lux, medido com luxímetro, e as áreas de guarda devem ficar no escuro.
Biodeterioração
Os agentes biológicos buscam os nutrientes do papel (celulose, amido, açúcares) e proliferam em ambientes quentes, úmidos e escuros. Os principais registros do diagnóstico são:
Fungos: reproduzem-se por esporos e, ao metabolizar a celulose, rompem a cadeia molecular do papel, causando fragilidade extrema e manchas graves.
Foxing: manchas pontuais de cor castanha. Não há consenso se a causa é um tipo de fungo ou a oxidação de impurezas metálicas da fabricação do papel.
Insetos: deixam excrementos, asas, galerias e orifícios. Os grupos mais citados são tisanuros (traças), ortópteros (baratas), coleópteros (brocas e besouros) e isópteros (cupins).
Roedores: roem o papel e o isolamento de fios elétricos, o que aumenta o risco de incêndio. A prevenção começa com a proibição de alimentos nas áreas de arquivo.
Como tratar o acervo depois do diagnóstico?
Com o diagnóstico pronto e os documentos separados por necessidade, começam os procedimentos práticos de conservação.

Higienização
É sempre o primeiro passo e consiste em uma ação mecânica e a seco; a água não entra nessa rotina. Em documentos avulsos, usa-se trincha de pelos macios, folha a folha, para remover a sujeira superficial. Clipes e grampos são retirados com bisturi e espátula, para que não enferrujem e manchem o papel.
Em encadernações e caixas, onde a poeira se acumula no topo, usa-se aspirador de pó com um tecido tipo voile (ou monyl) no bocal, funcionando como filtro para que fragmentos frágeis não sejam sugados. Quem higieniza usa EPIs: máscara contra poeira, luvas de algodão ou cirúrgicas, óculos, avental e touca.
Pequenos reparos
Quando o diagnóstico aponta rasgos e pequenas perdas, entra a conservação reparadora com papel japonês e cola de metilcelulose. O conservador alinha as fibras da borda do rasgo com as fibras da tira de papel japonês, no mesmo sentido.
Depois da colagem vem a planificação. O documento seca em um "sanduíche" de placa de PVC, mata-borrão e tela de proteção (voile ou monyl) dos dois lados, prensado com pesos, para que a umidade da cola não ondule o papel. Fitas próprias, como a filmoplast (isenta de ácido), podem ser usadas; fitas adesivas comuns, nunca.
Por que o diagnóstico vem antes da digitalização?
Órgãos e empresas querem digitalizar ou microfilmar acervos para agilizar o acesso, e um erro comum é mandar caixas direto do depósito para o scanner. Tanto na digitalização quanto na microfilmagem em Arquivologia, a preparação física é obrigatória.
Os documentos passam antes por diagnóstico, higienização, consolidação do suporte (colagem de rasgos) e planificação (remoção de dobras e amassados). Um papel dobrado esconde informação na captura, e um papel com fungos contamina o ambiente e os equipamentos de digitalização.

Como acondicionar os documentos após o tratamento?
Não adianta tratar o documento e devolvê-lo a um ambiente hostil. Isso vale em especial para os arquivos permanentes, cuja guarda é definitiva. As boas práticas de acondicionamento incluem:
Caixas e embalagens: caixas de material inerte ou papelão alcalino. Se a caixa não estiver cheia, usam-se espaçadores de cartão alcalino para que os documentos não escorreguem e se deformem.
Substituições: elásticos e barbantes antigos cortam e deformam as embalagens e dão lugar a cadarço de algodão cru. Anotações são feitas apenas a lápis macio (como o 6B), porque o grafite é quimicamente estável.
Ambiente físico: piso antiderrapante, iluminação e ventilação controladas, mapotecas para grandes formatos na horizontal, mesas largas e mesas de luz.
Estantes: longe da incidência direta do sol e com espaço folgado entre os volumes, para evitar atrito na retirada.
Como estudar preservação e conservação para concursos?
O diagnóstico orienta a proteção do patrimônio documental: ao mapear biodeterioração, acidez, danos estruturais e falhas de acondicionamento, o arquivista garante que a informação continue disponível. Na prova, fixe a escala de intervenção (preservação, preventiva, reparadora, restauração) e os vilões clássicos: fita adesiva, água, luz excessiva e manuseio descuidado.
Para relacionar o tema às fases do arquivo, revise o ciclo vital dos documentos e o diagnóstico da produção documental. Depois, conheça a plataforma de estudos do Volitivo, pratique com questões gratuitas de Arquivologia e explore todo o material de apoio para concursos.
Referências Bibliográficas
BRASIL. Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991. Dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados. Disponível em: Planalto, Lei 8.159/1991.
CONSELHO NACIONAL DE ARQUIVOS (CONARQ). Recomendações para a produção e o armazenamento de documentos de arquivo. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2005. Disponível em: portal do CONARQ.
ARQUIVO NACIONAL. Dicionário brasileiro de terminologia arquivística. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2005.
PROJETO CONSERVAÇÃO PREVENTIVA EM BIBLIOTECAS E ARQUIVOS (CPBA). Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2001.
Perguntas Frequentes sobre Diagnóstico de Preservação e Conservação
O que é o diagnóstico em arquivologia?
É o levantamento técnico da situação de um arquivo. O diagnóstico de preservação e conservação foca o estado físico dos documentos, enquanto o diagnóstico situacional avalia estrutura, volume e condições do serviço de arquivo.
Qual a diferença entre conservação preventiva e reparadora?
A preventiva atua no ambiente, no acondicionamento e no manuseio, sem tocar no documento. A reparadora intervém diretamente nele para corrigir pequenos danos, como rasgos.
Qual a diferença entre rasgo e ruptura?
No rasgo não há perda de material e as fibras podem ser unidas. Na ruptura há perda de partes do papel, o que exige enxertos e restauração.
A higienização de documentos usa água?
Não. A higienização é mecânica e a seco, feita com trincha macia, bisturi, espátula e aspirador com filtro de tecido no bocal.