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Arquivo Intermediário: o que é a 2ª Idade dos Documentos

Arquivo intermediário é a 2ª idade do ciclo vital, formada por documentos de uso pouco frequente que aguardam eliminação ou recolhimento para guarda permanente. Aqui você vê sinônimos cobrados em prova, transferência, valor primário e prazos da TTD (conceito no art. 8º, § 2º, da Lei nº 8.159/1991).

Arquivo intermediário: depósito com estantes deslizantes que economizam espaço físico na gestão de documentos da 2ª idade

Quando se fala em organização de documentos, a mente costuma criar duas imagens extremas: a pilha de papéis na mesa de quem usa tudo todos os dias e o porão histórico onde registros antigos repousam para sempre. A gestão inteligente da informação acontece justamente no meio do caminho entre esses dois cenários, e é esse meio que as bancas adoram explorar com sinônimos e pegadinhas de terminologia.

Índice

O que é arquivo intermediário?

Onde o arquivo intermediário entra no ciclo vital dos documentos?

Qual é o valor dos documentos na 2ª idade?

Quais sinônimos de arquivo intermediário as bancas cobram?

Por que o arquivo intermediário gera economia?

Qual a diferença entre transferência e recolhimento?

Como funciona a gestão no arquivo intermediário?

O que acontece quando o prazo intermediário termina?

Existe arquivo intermediário para documentos digitais?

Como revisar o arquivo intermediário para a prova?

Perguntas Frequentes sobre Arquivo Intermediário

Prefere revisar em vídeo? Assista à aula sobre o arquivo intermediário abaixo e confira as outras aulas de Arquivologia no canal do Volitivo no YouTube.

O que é arquivo intermediário?

O arquivo intermediário é o conjunto de documentos originários dos arquivos correntes que, depois de cumprirem a finalidade imediata, deixaram de ser consultados com frequência. Eles saem do ritmo do dia a dia, mas o órgão produtor ou recebedor ainda pode solicitá-los para tratar de assuntos idênticos ou retomar um problema que voltou a ser analisado.

A Lei nº 8.159/1991, a Lei de Arquivos, define no art. 8º, § 2º, que são intermediários os documentos que, não sendo de uso corrente nos órgãos produtores, por razões de interesse administrativo, aguardam a sua eliminação ou o recolhimento para guarda permanente. Essa é a definição que as bancas costumam copiar quase literalmente.

Pense num exemplo prático: o setor de Recursos Humanos de uma secretaria estadual fecha a folha de pagamento de janeiro. Em fevereiro, a consulta a essa folha despenca, porque o foco passa a ser o mês atual. Mesmo assim, ela não pode ir para o lixo: ainda tem valor legal e fiscal e pode ser alvo de auditoria ou de reclamação trabalhista nos anos seguintes.

Por que o arquivo intermediário pode ficar longe dos escritórios?

É a redução da frequência de uso que define a regra de ouro desta fase: não há necessidade de conservar os documentos perto das mesas de trabalho. Como a consulta é baixa, a instituição pode guardá-los num depósito mais afastado, desde que consiga localizá-los e entregá-los rapidamente quando o setor pedir.

A tabela abaixo compara as três idades nos pontos que mais caem em prova.

Critério

Corrente (1ª idade)

Intermediário (2ª idade)

Permanente (3ª idade)

Frequência de uso

Alta

Baixa

Pesquisa e prova histórica

Valor

Primário

Primário

Secundário

Local

Perto do setor produtor

Depósito centralizado, pode ser afastado

Instituição arquivística

Como entra

Produção ou recebimento

Transferência

Recolhimento

Sinônimos

Ativo, de movimento

Semiativo, temporário, limbo, purgatório

Histórico, inativo, de custódia

Gestão de documentos

Sim

Sim

Não

Onde o arquivo intermediário entra no ciclo vital dos documentos?

Para entender a 2ª idade, é preciso olhar para a teoria que organizou a Arquivologia moderna. O ciclo vital dos documentos se apoia na Teoria das Três Idades dos documentos, sistematizada por Jean-Jacques Valette em 1973, que divide a vida de um registro em fases sucessivas: corrente, intermediária e permanente.

A teoria faz uma analogia com a vida humana. Primeiro vem a juventude ativa, no arquivo corrente da primeira idade; depois, a maturidade em compasso de espera, no arquivo intermediário; e, por fim, a destinação final, que pode ser a "morte" (eliminação) ou a "imortalidade" histórica (guarda permanente).

O que define a passagem da primeira para a segunda idade é uma única expressão: frequência de uso. Quando o documento deixa de ser consultado no dia a dia, mas ainda não cumpriu o prazo que a administração precisa respeitar, ele está pronto para a fase intermediária.

Arquivo intermediário no ciclo vital dos documentos: fases corrente, intermediária e permanente da Teoria das Três Idades

Qual é o valor dos documentos na 2ª idade?

Um erro comum é achar que o documento muda de valor quando muda de idade. Tanto os documentos do arquivo corrente quanto os do intermediário possuem apenas o valor primário, atribuído em função do interesse imediato que o documento tem para a entidade que o produziu, considerando a sua utilidade para fins administrativos, legais e fiscais.

O que diminui na 2ª idade é só o número de buscas. A força comprobatória do documento perante a administração continua a mesma, e ele permanece guardado para servir ao seu produtor. O valor primário e secundário dos documentos só se separa na destinação final, quando a avaliação decide se existe interesse histórico, cultural ou de pesquisa.

"Ao ser transferido para o arquivo intermediário, o documento perde o valor primário e passa a ter valor secundário."

A afirmação está errada. Na fase intermediária o documento continua com valor primário. O valor secundário é o que justifica a guarda permanente, e só é reconhecido depois da avaliação, no momento do recolhimento.

Quais sinônimos de arquivo intermediário as bancas cobram?

As bancas sabem que o candidato decora os nomes oficiais das fases, por isso gostam de cobrar a nomenclatura alternativa. O arquivo intermediário é rico em sinônimos doutrinários, e conhecer cada um evita tropeços em questões aparentemente simples.

  • Arquivo semiativo: se o corrente é chamado de "ativo" pela alta movimentação, o intermediário é semiativo. A atividade existe, o documento ainda está "vivo" para a administração, mas o uso é bem menor.

  • Arquivo temporário: os documentos não ficam na 2ª idade para sempre. A permanência é transitória e tem prazo predeterminado para acabar.

  • Limbo ou purgatório: os apelidos mais curiosos e cobrados, ligados à ideia de espera por uma decisão final.

Por que o arquivo intermediário é chamado de limbo ou purgatório?

A analogia é didática. No purgatório, segundo a tradição cristã, as almas aguardam uma decisão final antes de seguir para o céu ou para o inferno. Na gestão documental, o papel no arquivo intermediário aguarda o fim do prazo de guarda para receber a destinação final.

Encerrado esse prazo, só há duas saídas: a eliminação (o "inferno" da destruição) ou a guarda permanente (o "céu" da preservação histórica). Se a questão falar em limbo, purgatório, semiativo ou temporário, está tratando da 2ª idade.

Por que o arquivo intermediário gera economia?

Por que criar um arquivo intermediário em vez de empilhar tudo no fundo da repartição? A resposta está na gestão eficiente de recursos públicos e privados. Manter o metro quadrado de um escritório num centro urbano ou num prédio de alto padrão custa caro, e ocupar esse espaço com papéis pouco consultados é desperdício.

Os depósitos intermediários resolvem o problema porque podem ficar fora dos grandes centros, em terrenos mais baratos, desde que mantenham acesso fácil e rápido. A transferência dos papéis das unidades correntes para esses depósitos reduz os custos de conservação e libera espaço, mobiliário e equipamentos para os novos documentos que não param de ser produzidos.

As vantagens mais citadas pela doutrina são:

  • economia de espaço físico nos setores de trabalho;

  • reaproveitamento de armários, pastas suspensas e outros equipamentos;

  • economia de pessoal, com a guarda centralizada;

  • resposta rápida às consultas administrativas;

  • proteção do acervo até a destinação final.

Qual a diferença entre transferência e recolhimento?

Para sair do escritório e chegar ao depósito intermediário, o documento passa por uma operação técnica. E aqui está uma das maiores cascas de banana das provas: a terminologia da movimentação. A passagem dos documentos do arquivo corrente para o arquivo intermediário se chama transferência.

O termo recolhimento é reservado à entrada de documentos no arquivo permanente, onde passam a ser guardados pelo valor secundário. Guarde o mantra: do corrente para o intermediário, transfere; do intermediário (ou direto do corrente) para o permanente, recolhe.

"A passagem de documentos do arquivo corrente para o arquivo intermediário denomina-se recolhimento."

A afirmação está errada. Essa passagem é a transferência. Recolhimento é a entrada no arquivo permanente, seja a partir do intermediário, seja diretamente do corrente.

Os conjuntos documentais transferidos também não podem seguir de qualquer jeito. Devem estar organizados, previamente avaliados, higienizados, acondicionados em caixas-arquivo adequadas e acompanhados de uma listagem de transferência, o instrumento descritivo que permite identificar e controlar tudo o que foi enviado.

Como funciona a gestão no arquivo intermediário?

Mesmo longe do setor que o produziu, o documento intermediário segue uma política rígida. Pela Lei nº 8.159/1991, art. 3º, a gestão de documentos na Arquivologia reúne os procedimentos e operações técnicas de produção, tramitação, uso, avaliação e arquivamento em fase corrente e intermediária. Por isso, as bancas repetem: não se faz gestão de documentos na idade permanente.

Como os documentos são organizados no depósito?

Ao receber as caixas do setor produtor, o arquivo intermediário deve conservar a organização interna atribuída originalmente no arquivo corrente. O arquivista apenas acrescenta notações topográficas, que indicam a posição de cada unidade na estante e facilitam a localização no momento da consulta.

Quem pode consultar os documentos intermediários?

O órgão que produziu e transferiu os documentos mantém a jurisdição sobre eles. Se o setor precisar de um papel, o arquivo intermediário faz o empréstimo, controlado com instrumentos como a guia-fora no empréstimo de documentos. Já a consulta por terceiros só é permitida com autorização expressa da unidade administrativa que fez a transferência.

Como a TTD controla os prazos da fase intermediária?

A bússola do arquivo intermediário é a Tabela de Temporalidade de Documentos (TTD). É esse instrumento que fixa quanto tempo cada tipo de documento fica na fase corrente, quanto tempo fica na intermediária e qual é a destinação final prevista.

O prazo da fase intermediária costuma se basear em prazos prescricionais ou de precaução, que justificam a guarda para responder a possíveis reclamações legais, fiscais ou trabalhistas. Ele começa a contar quando termina o prazo previsto para a fase corrente, que é o momento em que normalmente ocorre a transferência.

Arquivo intermediário e Tabela de Temporalidade de Documentos (TTD): arquivista confere os prazos de guarda do arquivo semiativo

O que acontece quando o prazo intermediário termina?

Cumpridos os prazos da TTD, o documento recebe a destinação prevista, definida no processo de avaliação. Ele não pode morar na 2ª idade para sempre, e só existem dois caminhos possíveis.

Quando o documento intermediário pode ser eliminado?

Se a Comissão Permanente de Avaliação de Documentos (CPAD) concluir que o registro não tem valor secundário (histórico, cultural ou de pesquisa), ele pode ser eliminado. A eliminação evita o acúmulo inútil de papel e libera espaço para o ciclo continuar, mas o depósito não descarta nada por conta própria.

Pela Lei nº 8.159/1991, art. 9º, a eliminação depende de autorização da instituição arquivística pública na sua esfera de competência (o Arquivo Nacional, no Poder Executivo federal). A Resolução CONARQ nº 40/2014 exige ainda listagem de eliminação e publicação do Edital de Ciência de Eliminação em periódico oficial. A destruição deve impedir a recuperação da informação, por fragmentação, por exemplo.

Quando o documento intermediário vai para a guarda permanente?

Se a avaliação reconhecer valor histórico, probatório ou informativo, a eliminação fica proibida. Ocorre então o recolhimento, e as caixas seguem para os arquivos permanentes da 3ª idade. Pelo art. 10 da Lei nº 8.159/1991, esses documentos são inalienáveis e imprescritíveis, e ficam abertos à consulta, respeitadas as restrições de acesso previstas em lei.

Existe arquivo intermediário para documentos digitais?

Grande parte dos registros hoje nasce direto no computador. Surge então a dúvida: se servidores e nuvem não ocupam espaço como caixas de papelão, o arquivo intermediário deixou de existir? Não. Os preceitos da gestão arquivística valem integralmente para o meio eletrônico, e a economia passa a ser também de capacidade de processamento, velocidade de busca e segurança da informação.

Nos documentos digitais, o controle das idades corrente e intermediária é feito por um Sistema Informatizado de Gestão Arquivística de Documentos (SIGAD). Esse software captura os documentos e, associado ao plano de classificação e à tabela de temporalidade, automatiza a contagem dos prazos de guarda.

Arquivo intermediário digital: SIGAD controla os prazos de documentos nato-digitais e prepara a eliminação ou o envio ao RDC-Arq

Quando um documento nato-digital cumpre o prazo no setor produtor, o sistema altera o seu status, restringe o acesso e o move logicamente para a fase intermediária, onde os dados continuam protegidos e inalteráveis. Ao fim do prazo, o SIGAD gera alertas e listagens para que um usuário autorizado promova a eliminação rastreável ou exporte documentos e metadados para um RDC-Arq (Repositório Arquivístico Digital Confiável), ambiente próprio para a guarda permanente digital.

Como revisar o arquivo intermediário para a prova?

Fixe quatro pontos: uso pouco frequente, valor primário, entrada por transferência e espera pela destinação final. Com eles, os "limbos", "purgatórios" e "semiativos" das bancas deixam de assustar. Para ver o tema dentro do conteúdo completo da disciplina, use o guia completo de Arquivologia para concursos e revise também o protocolo na Arquivologia.

Na plataforma de estudos do Volitivo você encontra questões gratuitas de Arquivologia e mais material de apoio para concursos.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991. Dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados.

BRASIL. Decreto nº 10.148, de 2 de dezembro de 2019. Institui a Comissão de Coordenação do Sistema de Gestão de Documentos e Arquivos da administração pública federal.

CONSELHO NACIONAL DE ARQUIVOS. Resolução nº 40, de 9 de dezembro de 2014. Dispõe sobre os procedimentos para a eliminação de documentos no âmbito dos órgãos e entidades integrantes do SINAR.

ARQUIVO NACIONAL. Dicionário Brasileiro de Terminologia Arquivística. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2005.

PAES, Marilena Leite. Arquivo: teoria e prática. 3. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2004.

Perguntas Frequentes sobre Arquivo Intermediário

O que é arquivo intermediário?

É a 2ª idade do ciclo vital: documentos que saíram do uso frequente, mas ainda têm valor primário e aguardam eliminação ou recolhimento ao arquivo permanente.

Qual a diferença entre arquivo corrente, intermediário e permanente?

O corrente guarda documentos de uso frequente; o intermediário, documentos de uso esporádico que esperam o fim do prazo; o permanente, documentos de valor secundário que nunca serão eliminados.

Quais são exemplos de documentos intermediários?

Folhas de pagamento de anos anteriores, processos administrativos encerrados, contratos já cumpridos e documentos fiscais em prazo de prescrição são exemplos comuns.

Como os documentos chegam ao arquivo intermediário?

Por transferência, acompanhada de listagem de transferência. Recolhimento é o termo usado apenas para a entrada no arquivo permanente.

Há gestão de documentos no arquivo intermediário?

Sim. A Lei nº 8.159/1991 situa a gestão de documentos nas fases corrente e intermediária. No arquivo permanente não se fala em gestão.