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Ciclo Vital dos Documentos: Teoria das Três Idades

Ciclo vital dos documentos é o conjunto de fases pelas quais um documento passa, da produção à eliminação ou à guarda permanente. Também chamado de Teoria das Três Idades, ele classifica os arquivos em corrente, intermediário e permanente conforme o uso e o valor (Lei 8.159/1991).

Ciclo vital dos documentos: ilustração das três idades, com o arquivo corrente em um escritório, o arquivo intermediário com estantes e o arquivo permanente com livros históricos

Se você estuda Arquivologia para concursos, entender como os documentos "nascem", "vivem" e "morrem" garante pontos certos na prova. Neste post você vê cada fase do ciclo, a diferença entre valor primário e secundário, os conceitos de transferência e recolhimento e o que diz a lei.

Índice

O que é o ciclo vital dos documentos?

Quais são as três idades dos documentos?

Qual a diferença entre valor primário e valor secundário?

Qual a diferença entre transferência e recolhimento?

O que a Lei 8.159/1991 diz sobre o ciclo vital dos documentos?

Como lembrar das três idades na hora da prova?

Referências Bibliográficas

Perguntas Frequentes sobre o Ciclo Vital dos Documentos

Prefere revisar em vídeo? Assista ao resumo no canal do Volitivo no YouTube.

O que é o ciclo vital dos documentos?

O ciclo vital representa as fases sucessivas pelas quais um documento passa, desde o momento em que é produzido até a sua destinação final, que pode ser a eliminação ou a guarda permanente.

A comparação com um ser vivo ajuda a fixar: o documento nasce para cumprir uma função, é usado e guardado enquanto for necessário e, no fim, ou é descartado ou é preservado para a história.

Quais são as três idades dos documentos?

Sistematizada por Jean Jacques Valette em 1973, a Teoria das Três Idades classifica os arquivos pela frequência de uso e pelo valor que têm para a administração. A tabela resume as três idades.

Idade

Uso

Valor

Atividades principais

1ª idade: arquivo corrente

Consulta frequente, em tramitação

Primário alto

Protocolo, classificação, registro e autuação

2ª idade: arquivo intermediário

Consulta pouco frequente

Primário decrescente

Espera pela eliminação ou pelo recolhimento

3ª idade: arquivo permanente

Pesquisa e consulta pública

Secundário (histórico)

Arranjo, descrição e conservação

Arquivo corrente: a fase ativa (1ª idade)

O arquivo corrente, também chamado de arquivo de gestão ou ativo, é formado por documentos em curso ou consultados com grande frequência.

Os documentos ficam nos escritórios ou em dependências muito próximas, para facilitar o acesso imediato. É a fase de tramitação, em que o documento ainda cumpre a função administrativa para a qual foi criado.

Nesta fase ocorrem o protocolo, a classificação, o registro e a autuação. O valor primário é alto, pois o documento serve a fins administrativos, legais ou fiscais.

Arquivo intermediário: o limbo documental (2ª idade)

Quando o documento deixa de ser usado diariamente, mas ainda não pode ser eliminado por razões legais ou administrativas, ele entra no arquivo intermediário.

Como a consulta é pouco frequente, os documentos ficam em locais mais distantes e econômicos. O órgão produtor ainda pode solicitá-los para tratar de assuntos idênticos ou retomar um problema, e o valor administrativo continua, em escala decrescente.

A fase é apelidada de limbo ou purgatório porque os documentos aguardam uma decisão final: a eliminação ou o recolhimento ao arquivo permanente.

Arquivo permanente: a memória institucional (3ª idade)

O arquivo permanente guarda documentos que perderam o valor administrativo, mas devem ser preservados definitivamente por seu valor histórico, informativo ou probatório.

Vale a regra de ouro: documento de guarda permanente nunca é eliminado. Esse arquivo é, por excelência, aberto à pesquisa e à consulta pública, respeitadas as restrições de sigilo previstas em lei.

As principais tarefas são o arranjo, a descrição e a conservação. Os documentos têm apenas valor secundário e servem para conhecer o passado e a evolução da sociedade ou da instituição.

"Documentos de guarda permanente podem ser eliminados quando perdem o valor administrativo."

A afirmação está errada. O documento permanente é justamente o que já perdeu o valor administrativo e ficou com valor secundário, por isso nunca é eliminado. A eliminação acontece na fase intermediária, depois da avaliação feita com base na tabela de temporalidade.

Qual a diferença entre valor primário e valor secundário?

Entender a valoração é decisivo para classificar o documento no ciclo vital, e o valor dos documentos se divide em dois tipos.

Valor primário (imediato): é a utilidade do documento para o órgão que o produziu, por razões administrativas, legais, jurídicas ou fiscais. Está presente nas fases corrente e intermediária.

Valor secundário (mediato): é o interesse que o documento desperta em outros usuários e na sociedade, com fins históricos, científicos, culturais e informativos. É a característica da fase permanente.

Qual a diferença entre transferência e recolhimento?

As bancas de concurso adoram trocar esses conceitos, então vale fixar a diferença.

Transferência: é a passagem do documento do arquivo corrente para o arquivo intermediário.

Recolhimento: é a entrada de documentos no arquivo permanente, vindos do intermediário ou, quando já nascem com valor histórico, diretamente do corrente.

"A passagem do documento do arquivo corrente para o arquivo intermediário chama-se recolhimento."

A afirmação está errada. Essa passagem é a transferência. O recolhimento é a entrada no arquivo permanente.

O que a Lei 8.159/1991 diz sobre o ciclo vital dos documentos?

A Lei nº 8.159/1991, conhecida como Lei de Arquivos, é o principal marco legal sobre o tema. Ela define gestão de documentos como o conjunto de procedimentos e operações técnicas de produção, tramitação, uso, avaliação e arquivamento nas fases corrente e intermediária, com vistas à eliminação ou ao recolhimento para guarda permanente.

Os pontos que mais aparecem em prova são:

  • Dever do Estado: cabe ao Poder Público a gestão documental e a proteção especial aos documentos de arquivo.

  • Fases: a lei identifica os documentos como correntes, intermediários e permanentes.

  • Eliminação: a eliminação de documentos públicos depende de autorização da instituição arquivística pública, na sua esfera de competência.

  • Proteção: os documentos de valor permanente são inalienáveis e imprescritíveis, ou seja, não podem ser vendidos nem se perder pelo decurso do tempo.

Como lembrar das três idades na hora da prova?

Guarde que o que muda a idade de um documento não é o suporte, papel ou digital, e sim a frequência de uso e o valor, primário ou secundário, atribuído a ele.

Para continuar os estudos, veja o guia completo de Arquivologia para concursos.

Revise também o protocolo na Arquivologia, atividade típica do arquivo corrente.

Depois de revisar a teoria, resolva as questões gratuitas de Arquivologia na plataforma de estudos do Volitivo e explore o material de apoio para concursos.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991. Dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados e dá outras providências.

ARQUIVO NACIONAL. Dicionário brasileiro de terminologia arquivística. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2005.

Perguntas Frequentes sobre o Ciclo Vital dos Documentos

O que é a Teoria das Três Idades?

É a teoria que classifica os arquivos em corrente (1ª idade), intermediário (2ª idade) e permanente (3ª idade), de acordo com a frequência de uso e o valor dos documentos.

Documento do arquivo permanente pode ser eliminado?

Não. Os documentos de guarda permanente têm valor histórico, informativo ou probatório e devem ser preservados definitivamente.

Quem autoriza a eliminação de documentos públicos?

A Lei 8.159/1991 determina que a eliminação seja feita mediante autorização da instituição arquivística pública, na sua esfera de competência.

O suporte do documento muda a idade dele?

Não. O que define a idade é a frequência de uso e o valor, primário ou secundário, e não o fato de o documento ser de papel ou digital.