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Classificação dos Arquivos: Tipos e Idades para Concursos
Classificação dos arquivos é a divisão dos arquivos em grupos por entidade mantenedora, estágio de evolução, extensão de atuação e natureza dos documentos. Esses quatro critérios aparecem em provas de arquivologia, e as três idades têm base na Lei 8.159/1991 (artigo 8).

Em arquivologia, organizar vai além de guardar papéis em pastas. Cada tipo de arquivo segue uma lógica própria, e as bancas costumam trocar um conceito pelo outro dentro da mesma afirmação. Este guia faz parte da arquivologia para concursos e mostra cada critério com as pegadinhas mais comuns.
Índice
Como é a classificação dos arquivos quanto às entidades mantenedoras?
O que são os estágios de evolução dos arquivos (ciclo vital)?
Qual a diferença entre arquivo setorial e arquivo central?
Qual a diferença entre arquivo especial e arquivo especializado?
Como diferenciar arquivo, biblioteca, museu e centro de documentação?
O que memorizar sobre a classificação dos arquivos?
Perguntas Frequentes sobre Classificação dos Arquivos
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Como é a classificação dos arquivos quanto às entidades mantenedoras?
O primeiro critério olha para o dono do arquivo, ou seja, a instituição ou a pessoa que produz e guarda os documentos. A doutrina arquivística divide esse critério em arquivos públicos, institucionais, comerciais e familiares ou pessoais.
Tipo | Quem mantém | Exemplos |
|---|---|---|
Público | Órgãos governamentais (União, estados, Distrito Federal e municípios) | Arquivo Nacional, arquivos estaduais e municipais |
Institucional | Organizações não governamentais com papel social | Escolas, universidades, igrejas, associações |
Comercial | Firmas, companhias e empresas | Notas fiscais, contratos, registros financeiros |
Familiar ou pessoal | Famílias e indivíduos | Cartas, fotos, certidões, RG, CNH, diplomas |
Arquivos públicos
São gerados por órgãos governamentais e se subdividem pela esfera administrativa. Os federais guardam documentos produzidos pela União e podem ser centrais ou regionais. Os estaduais ou distritais vêm dos governos dos estados e do Distrito Federal. Os municipais vêm das prefeituras e dos órgãos locais.
Arquivos institucionais
Pertencem a organizações que têm papel social, mas não são governamentais. Entram aqui os arquivos educacionais (escolas e universidades), os religiosos (igrejas e corporações sem fins lucrativos) e os de associações e sociedades, como clubes e grupos sociais.
Arquivos comerciais
Reúnem a documentação de firmas, companhias e empresas, com foco na atividade econômica e financeira: notas fiscais, contratos e comprovantes de transações.
Arquivos familiares ou pessoais
São gerados por indivíduos ou famílias ao longo da vida. Os familiares incluem fotos, cartas e registros genealógicos. Os pessoais incluem certidão de nascimento, certidão de casamento, RG, CNH e diplomas, que formam o fundo pessoal de alguém.
O que são os estágios de evolução dos arquivos (ciclo vital)?
Para concursos, este é o critério mais cobrado. Ele se baseia na teoria das três idades, sistematizada por Jean-Jacques Valette em 1973 e prevista na Lei 8.159/1991, cujo artigo 8 identifica os documentos públicos como correntes, intermediários e permanentes. A ideia é que o documento nasce, vive uma fase ativa, envelhece e, por fim, é eliminado ou passa à guarda permanente.
Idade | Arquivo | Uso | Valor | Onde fica |
|---|---|---|---|---|
1ª | Corrente | Frequente | Administrativo (primário) | Perto dos usuários, nos setores |
2ª | Intermediário | Raro | Administrativo, em grau menor | Depósitos mais distantes e baratos |
3ª | Permanente | Pesquisa | Histórico, probatório e informativo | Instituição arquivística, como o Arquivo Nacional |
Primeira idade: arquivo corrente
O arquivo corrente guarda documentos em curso, recém-criados ou recebidos, com uso alto no cumprimento das atividades administrativas. Ficam perto dos usuários, nos escritórios e repartições, porque o acesso precisa ser rápido. Uma dica de memória: o documento está "acorrentado" a quem o produziu e é indispensável ao dia a dia da administração.
Segunda idade: arquivo intermediário
Com o tempo, o documento que era consultado todo dia passa a ser consultado raramente. No arquivo intermediário, ele ainda pode ser solicitado pelo órgão produtor para tratar de assuntos idênticos ou retomar um problema, e mantém valor administrativo (primário), em grau menor que na fase corrente. Pode ir para depósitos mais distantes e baratos. Por isso é chamado de "limbo" ou "purgatório": os documentos aguardam a decisão final entre eliminação e guarda permanente, e a permanência ali é transitória.
Terceira idade: arquivo permanente
No arquivo permanente, os documentos já perderam o valor administrativo, mas devem ser preservados pelo valor histórico, probatório ou informativo. Ficam em instituições arquivísticas, como o Arquivo Nacional. Servem à história, à cultura e à pesquisa, e permitem conhecer a evolução da instituição ou da sociedade.
"Os documentos do arquivo permanente podem ser eliminados quando perdem o valor administrativo."
A afirmação está errada. Quem perde o valor administrativo passa pela avaliação, e só o documento sem valor de guarda é eliminado, antes do recolhimento. Uma vez no arquivo permanente, o documento nunca é eliminado.
Qual a diferença entre arquivo setorial e arquivo central?
Este critério trata de como o arquivo se posiciona na estrutura da organização e de como atende aos diversos setores. Existem dois tipos.
Arquivo setorial
O arquivo setorial é estabelecido junto aos órgãos operacionais e é descentralizado: RH, contabilidade e marketing, por exemplo, mantêm cada um o seu arquivo por perto. Ele cumpre funções de arquivo corrente e guarda a documentação em uso naquele departamento.
Arquivo central (ou geral)
O arquivo central recebe os documentos correntes provenientes dos diversos órgãos da instituição e centraliza as atividades de arquivo corrente. Em vez de cada setor cuidar do seu, tudo vai para um local central que gerencia a documentação ativa.
Atenção à pegadinha: tanto o arquivo setorial quanto o central lidam com a fase corrente. Algumas bancas afirmam que o arquivo central cuida do intermediário ou do permanente, o que está errado nesta classificação.
Qual a diferença entre arquivo especial e arquivo especializado?
Aqui muitos candidatos escorregam, porque os nomes são parecidos e os conceitos são diferentes. A saída é associar cada um a uma palavra: especial lembra suporte, e especializado lembra área do conhecimento.
Arquivo especial = suporte especial
O arquivo especial recebe esse nome pela forma física dos documentos, ou seja, pelo suporte, forma e formato da informação. Guarda documentos em formas diferentes do papel convencional, que exigem tratamento especial no armazenamento, no registro e na conservação. Exemplos: CDs, DVDs, pen drives, fitas de vídeo, discos de vinil, fotografias, microfilmes e slides. Como o suporte é frágil ou exige equipamento para leitura, é preciso cuidar de temperatura e manuseio para não perder os dados de um CD ou de uma fita magnética.
Arquivo especializado = área especializada
O arquivo especializado é definido pelo assunto ou campo do conhecimento. Ele custodia documentos resultantes da experiência humana em um campo específico, independentemente da forma física. Exemplos: arquivos médicos (hospitalares), de engenharia, de imprensa e jurídicos. Um arquivo médico é especializado porque trata de saúde, sejam fichas de papel ou radiografias (suporte especial): a especialidade está no conteúdo intelectual.
Como diferenciar arquivo, biblioteca, museu e centro de documentação?
Para fechar o entendimento da classificação, é preciso saber o que não é arquivo. Arquivo, biblioteca e museu são instituições de memória, com objetivos e formas de acumulação diferentes.
Instituição | Acumulação | Objetivo | Característica |
|---|---|---|---|
Arquivo | Natural e orgânica, a partir das atividades da instituição | Servir à administração (fins jurídicos, funcionais e administrativos) e, secundariamente, à história | Fonte geradora única; não é coleção |
Biblioteca | Artificial: compra, doação ou permuta | Fins culturais, técnicos, científicos e educativos | Órgão colecionador, com exemplares múltiplos, organizada por assunto |
Museu | Artificial: compra ou doação | Educativo, cultural e de entretenimento | Órgão colecionador de objetos, em geral tridimensionais |
Centro de documentação | Reúne dados e informações sobre um tema | Pesquisa científica | Órgão colecionador ou referencial; nem sempre guarda originais |
Arquivo não é coleção
Esta é a regra de ouro. Os documentos do arquivo nascem das atividades da instituição: ninguém compra um ofício ou um memorando para guardar no arquivo. A biblioteca, ao contrário, faz uma seleção consciente e reúne exemplares de várias editoras e autores. O museu também adquire peças e pode ter documentos, mas eles são tratados como peças de coleção ou como apoio para entender os objetos.
"O arquivo é um órgão colecionador, pois reúne documentos de diversas fontes."
A afirmação está errada. O arquivo acumula documentos de forma orgânica, a partir de uma fonte geradora única. Quem coleciona são a biblioteca, o museu e o centro de documentação.
O que memorizar sobre a classificação dos arquivos?
Estas associações rápidas ajudam a evitar as cascas de banana das questões:
Entidade mantenedora: público (governo), institucional (igreja ou escola), comercial (empresa) e pessoal (indivíduo ou família).
Estágio de evolução: corrente tem uso frequente e fica perto do chefe; intermediário tem uso baixo, espera a destinação e fica longe do escritório; permanente tem valor histórico e nunca é eliminado.
Atuação: setorial (no setor) e central (reúne os setoriais), ambos na fase corrente.
Natureza: especial é suporte diferente (fita, foto); especializado é assunto médico ou técnico.
Arquivo x biblioteca: arquivo é natural, orgânico e não coleciona; biblioteca é cultural e coleciona.
Para saber o que acontece com cada documento ao fim da fase corrente, veja a tabela de temporalidade de documentos.
Com a classificação dominada, o próximo passo é a gestão de documentos, que organiza todo o ciclo vital.
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Referências Bibliográficas
BRASIL. Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991. Dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados. Disponível em: texto da Lei 8.159/1991 no Planalto.
ARQUIVO NACIONAL. Dicionário brasileiro de terminologia arquivística. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2005.
Perguntas Frequentes sobre Classificação dos Arquivos
Quais são os tipos de arquivos?
Depende do critério. Pela entidade mantenedora, são quatro: públicos, institucionais, comerciais e familiares ou pessoais. Pelo estágio de evolução, são três: corrente, intermediário e permanente.
O arquivo central cuida do arquivo intermediário?
Não. Na classificação por extensão de atuação, o arquivo central reúne e centraliza os documentos correntes de vários setores, assim como o setorial.
Arquivo especial é o mesmo que arquivo especializado?
Não. O arquivo especial é definido pelo suporte dos documentos (fitas, fotografias, microfilmes). O especializado é definido pela área do conhecimento (medicina, engenharia, direito).
O arquivo pode ser considerado uma coleção?
Não. O arquivo acumula documentos de forma natural e orgânica, a partir das atividades da instituição produtora. Coleção é característica de biblioteca, museu e centro de documentação.