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Classificação dos Arquivos: Tipos e Idades para Concursos

Classificação dos arquivos é a divisão dos arquivos em grupos por entidade mantenedora, estágio de evolução, extensão de atuação e natureza dos documentos. Esses quatro critérios aparecem em provas de arquivologia, e as três idades têm base na Lei 8.159/1991 (artigo 8).

Classificação dos arquivos: profissional com lupa diante do computador em sala de arquivo com prateleiras de caixas de documentos

Em arquivologia, organizar vai além de guardar papéis em pastas. Cada tipo de arquivo segue uma lógica própria, e as bancas costumam trocar um conceito pelo outro dentro da mesma afirmação. Este guia faz parte da arquivologia para concursos e mostra cada critério com as pegadinhas mais comuns.

Índice

Como é a classificação dos arquivos quanto às entidades mantenedoras?

O que são os estágios de evolução dos arquivos (ciclo vital)?

Qual a diferença entre arquivo setorial e arquivo central?

Qual a diferença entre arquivo especial e arquivo especializado?

Como diferenciar arquivo, biblioteca, museu e centro de documentação?

O que memorizar sobre a classificação dos arquivos?

Perguntas Frequentes sobre Classificação dos Arquivos

Prefere revisar em vídeo? Assista à aula sobre classificação de arquivos no canal do Volitivo no YouTube.

Como é a classificação dos arquivos quanto às entidades mantenedoras?

O primeiro critério olha para o dono do arquivo, ou seja, a instituição ou a pessoa que produz e guarda os documentos. A doutrina arquivística divide esse critério em arquivos públicos, institucionais, comerciais e familiares ou pessoais.

Tipo

Quem mantém

Exemplos

Público

Órgãos governamentais (União, estados, Distrito Federal e municípios)

Arquivo Nacional, arquivos estaduais e municipais

Institucional

Organizações não governamentais com papel social

Escolas, universidades, igrejas, associações

Comercial

Firmas, companhias e empresas

Notas fiscais, contratos, registros financeiros

Familiar ou pessoal

Famílias e indivíduos

Cartas, fotos, certidões, RG, CNH, diplomas

Arquivos públicos

São gerados por órgãos governamentais e se subdividem pela esfera administrativa. Os federais guardam documentos produzidos pela União e podem ser centrais ou regionais. Os estaduais ou distritais vêm dos governos dos estados e do Distrito Federal. Os municipais vêm das prefeituras e dos órgãos locais.

Arquivos institucionais

Pertencem a organizações que têm papel social, mas não são governamentais. Entram aqui os arquivos educacionais (escolas e universidades), os religiosos (igrejas e corporações sem fins lucrativos) e os de associações e sociedades, como clubes e grupos sociais.

Arquivos comerciais

Reúnem a documentação de firmas, companhias e empresas, com foco na atividade econômica e financeira: notas fiscais, contratos e comprovantes de transações.

Arquivos familiares ou pessoais

São gerados por indivíduos ou famílias ao longo da vida. Os familiares incluem fotos, cartas e registros genealógicos. Os pessoais incluem certidão de nascimento, certidão de casamento, RG, CNH e diplomas, que formam o fundo pessoal de alguém.

O que são os estágios de evolução dos arquivos (ciclo vital)?

Para concursos, este é o critério mais cobrado. Ele se baseia na teoria das três idades, sistematizada por Jean-Jacques Valette em 1973 e prevista na Lei 8.159/1991, cujo artigo 8 identifica os documentos públicos como correntes, intermediários e permanentes. A ideia é que o documento nasce, vive uma fase ativa, envelhece e, por fim, é eliminado ou passa à guarda permanente.

Idade

Arquivo

Uso

Valor

Onde fica

1ª

Corrente

Frequente

Administrativo (primário)

Perto dos usuários, nos setores

2ª

Intermediário

Raro

Administrativo, em grau menor

Depósitos mais distantes e baratos

3ª

Permanente

Pesquisa

Histórico, probatório e informativo

Instituição arquivística, como o Arquivo Nacional

Primeira idade: arquivo corrente

O arquivo corrente guarda documentos em curso, recém-criados ou recebidos, com uso alto no cumprimento das atividades administrativas. Ficam perto dos usuários, nos escritórios e repartições, porque o acesso precisa ser rápido. Uma dica de memória: o documento está "acorrentado" a quem o produziu e é indispensável ao dia a dia da administração.

Segunda idade: arquivo intermediário

Com o tempo, o documento que era consultado todo dia passa a ser consultado raramente. No arquivo intermediário, ele ainda pode ser solicitado pelo órgão produtor para tratar de assuntos idênticos ou retomar um problema, e mantém valor administrativo (primário), em grau menor que na fase corrente. Pode ir para depósitos mais distantes e baratos. Por isso é chamado de "limbo" ou "purgatório": os documentos aguardam a decisão final entre eliminação e guarda permanente, e a permanência ali é transitória.

Terceira idade: arquivo permanente

No arquivo permanente, os documentos já perderam o valor administrativo, mas devem ser preservados pelo valor histórico, probatório ou informativo. Ficam em instituições arquivísticas, como o Arquivo Nacional. Servem à história, à cultura e à pesquisa, e permitem conhecer a evolução da instituição ou da sociedade.

"Os documentos do arquivo permanente podem ser eliminados quando perdem o valor administrativo."

A afirmação está errada. Quem perde o valor administrativo passa pela avaliação, e só o documento sem valor de guarda é eliminado, antes do recolhimento. Uma vez no arquivo permanente, o documento nunca é eliminado.

Qual a diferença entre arquivo setorial e arquivo central?

Este critério trata de como o arquivo se posiciona na estrutura da organização e de como atende aos diversos setores. Existem dois tipos.

Arquivo setorial

O arquivo setorial é estabelecido junto aos órgãos operacionais e é descentralizado: RH, contabilidade e marketing, por exemplo, mantêm cada um o seu arquivo por perto. Ele cumpre funções de arquivo corrente e guarda a documentação em uso naquele departamento.

Arquivo central (ou geral)

O arquivo central recebe os documentos correntes provenientes dos diversos órgãos da instituição e centraliza as atividades de arquivo corrente. Em vez de cada setor cuidar do seu, tudo vai para um local central que gerencia a documentação ativa.

Atenção à pegadinha: tanto o arquivo setorial quanto o central lidam com a fase corrente. Algumas bancas afirmam que o arquivo central cuida do intermediário ou do permanente, o que está errado nesta classificação.

Qual a diferença entre arquivo especial e arquivo especializado?

Aqui muitos candidatos escorregam, porque os nomes são parecidos e os conceitos são diferentes. A saída é associar cada um a uma palavra: especial lembra suporte, e especializado lembra área do conhecimento.

Arquivo especial = suporte especial

O arquivo especial recebe esse nome pela forma física dos documentos, ou seja, pelo suporte, forma e formato da informação. Guarda documentos em formas diferentes do papel convencional, que exigem tratamento especial no armazenamento, no registro e na conservação. Exemplos: CDs, DVDs, pen drives, fitas de vídeo, discos de vinil, fotografias, microfilmes e slides. Como o suporte é frágil ou exige equipamento para leitura, é preciso cuidar de temperatura e manuseio para não perder os dados de um CD ou de uma fita magnética.

Arquivo especializado = área especializada

O arquivo especializado é definido pelo assunto ou campo do conhecimento. Ele custodia documentos resultantes da experiência humana em um campo específico, independentemente da forma física. Exemplos: arquivos médicos (hospitalares), de engenharia, de imprensa e jurídicos. Um arquivo médico é especializado porque trata de saúde, sejam fichas de papel ou radiografias (suporte especial): a especialidade está no conteúdo intelectual.

Como diferenciar arquivo, biblioteca, museu e centro de documentação?

Para fechar o entendimento da classificação, é preciso saber o que não é arquivo. Arquivo, biblioteca e museu são instituições de memória, com objetivos e formas de acumulação diferentes.

Instituição

Acumulação

Objetivo

Característica

Arquivo

Natural e orgânica, a partir das atividades da instituição

Servir à administração (fins jurídicos, funcionais e administrativos) e, secundariamente, à história

Fonte geradora única; não é coleção

Biblioteca

Artificial: compra, doação ou permuta

Fins culturais, técnicos, científicos e educativos

Órgão colecionador, com exemplares múltiplos, organizada por assunto

Museu

Artificial: compra ou doação

Educativo, cultural e de entretenimento

Órgão colecionador de objetos, em geral tridimensionais

Centro de documentação

Reúne dados e informações sobre um tema

Pesquisa científica

Órgão colecionador ou referencial; nem sempre guarda originais

Arquivo não é coleção

Esta é a regra de ouro. Os documentos do arquivo nascem das atividades da instituição: ninguém compra um ofício ou um memorando para guardar no arquivo. A biblioteca, ao contrário, faz uma seleção consciente e reúne exemplares de várias editoras e autores. O museu também adquire peças e pode ter documentos, mas eles são tratados como peças de coleção ou como apoio para entender os objetos.

"O arquivo é um órgão colecionador, pois reúne documentos de diversas fontes."

A afirmação está errada. O arquivo acumula documentos de forma orgânica, a partir de uma fonte geradora única. Quem coleciona são a biblioteca, o museu e o centro de documentação.

O que memorizar sobre a classificação dos arquivos?

Estas associações rápidas ajudam a evitar as cascas de banana das questões:

  • Entidade mantenedora: público (governo), institucional (igreja ou escola), comercial (empresa) e pessoal (indivíduo ou família).

  • Estágio de evolução: corrente tem uso frequente e fica perto do chefe; intermediário tem uso baixo, espera a destinação e fica longe do escritório; permanente tem valor histórico e nunca é eliminado.

  • Atuação: setorial (no setor) e central (reúne os setoriais), ambos na fase corrente.

  • Natureza: especial é suporte diferente (fita, foto); especializado é assunto médico ou técnico.

  • Arquivo x biblioteca: arquivo é natural, orgânico e não coleciona; biblioteca é cultural e coleciona.

Para saber o que acontece com cada documento ao fim da fase corrente, veja a tabela de temporalidade de documentos.

Com a classificação dominada, o próximo passo é a gestão de documentos, que organiza todo o ciclo vital.

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Referências Bibliográficas

BRASIL. Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991. Dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados. Disponível em: texto da Lei 8.159/1991 no Planalto.

ARQUIVO NACIONAL. Dicionário brasileiro de terminologia arquivística. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2005.

Perguntas Frequentes sobre Classificação dos Arquivos

Quais são os tipos de arquivos?

Depende do critério. Pela entidade mantenedora, são quatro: públicos, institucionais, comerciais e familiares ou pessoais. Pelo estágio de evolução, são três: corrente, intermediário e permanente.

O arquivo central cuida do arquivo intermediário?

Não. Na classificação por extensão de atuação, o arquivo central reúne e centraliza os documentos correntes de vários setores, assim como o setorial.

Arquivo especial é o mesmo que arquivo especializado?

Não. O arquivo especial é definido pelo suporte dos documentos (fitas, fotografias, microfilmes). O especializado é definido pela área do conhecimento (medicina, engenharia, direito).

O arquivo pode ser considerado uma coleção?

Não. O arquivo acumula documentos de forma natural e orgânica, a partir das atividades da instituição produtora. Coleção é característica de biblioteca, museu e centro de documentação.