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Diagnóstico Situacional Estrutural de Arquivos: Como Fazer
Diagnóstico situacional estrutural de arquivos é o levantamento da situação geral do arquivo de uma instituição, feito para propor melhorias e reorganizar o acervo. Ele analisa quatro pilares: espaço físico, mobiliário, acúmulo documental e recursos humanos (acúmulo medido em metros lineares; 1 m³ equivale a 12 metros lineares).

Quando um acervo cresce sem controle, a instituição perde tempo para achar documentos, gasta com espaço mal aproveitado e coloca a própria memória em risco. O diagnóstico estrutural é a ferramenta que mostra onde está o problema antes de qualquer investimento. Neste material você vai ver o que ele avalia, como medir o volume documental e quais propostas de melhoria as bancas costumam cobrar.
Índice
O que é o diagnóstico situacional estrutural de arquivos?
Como avaliar o espaço físico e a climatização do arquivo?
Como o diagnóstico avalia mobiliário e acondicionamento?
Como medir o acúmulo documental em metros lineares?
O que o diagnóstico avalia nos recursos humanos?
Como o diagnóstico orienta o combate a pragas e a limpeza?
Qual é o próximo passo depois do diagnóstico estrutural?
Perguntas Frequentes sobre Diagnóstico de Arquivos
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O que é o diagnóstico situacional estrutural de arquivos?
Na Arquivologia, o diagnóstico situacional (ou diagnóstico estrutural) é o levantamento investigativo das condições em que o arquivo se encontra. Ele responde a três perguntas: onde os documentos estão guardados, como estão acondicionados e quem cuida deles.
Ele não se confunde com o diagnóstico da produção documental, que investiga quais documentos são produzidos, por quem e para quê. Os dois se completam: um olha para a estrutura, o outro para o conteúdo.
O objetivo do diagnóstico estrutural é apresentar e registrar propostas de melhoria e de reorganização. Sem esse mapa inicial, comprar estantes, contratar pessoal ou digitalizar processos vira gasto sem direção, porque ninguém sabe o tamanho real do problema. Por isso ele costuma ser a primeira etapa de um programa de gestão de documentos.
A tabela abaixo resume os quatro pilares que um diagnóstico completo precisa analisar:
Pilar | O que se avalia | Proposta típica de melhoria |
|---|---|---|
Espaço físico e climatização | Temperatura, umidade, luz, riscos de incêndio e infiltração | Climatização contínua, filtros UV, extintores adequados |
Mobiliário e acondicionamento | Tipo de estante, caixas, pastas, clipes e grampos | Estantes de aço, arquivos deslizantes, caixas de material inerte |
Acúmulo documental | Volume do acervo em metros lineares | Dimensionar caixas, estantes e área necessária |
Recursos humanos | Quantidade, formação e segurança da equipe | Treinamento, contratação de arquivistas e uso de EPIs |
Como avaliar o espaço físico e a climatização do arquivo?
O primeiro passo é observar paredes, teto e piso. O avaliador verifica se o ambiente favorece a longevidade do papel e dos demais suportes ou se acelera a sua degradação.
Temperatura e umidade relativa

O papel é higroscópico: absorve e libera umidade conforme o ambiente. Por isso, variações bruscas de temperatura e de umidade relativa (UR) provocam dilatação, ondulação e favorecem fungos. O diagnóstico registra se o local tem controle climático e se ele funciona de forma contínua.
As recomendações do CONARQ apontam, para acervos em papel, temperatura em torno de 20 °C e UR entre 45% e 50%, com oscilações pequenas ao longo do dia. Suportes mais sensíveis, como fotografias e filmes, pedem temperaturas mais baixas. Se o diagnóstico encontrar um ambiente quente e úmido, a proposta imediata é instalar ar-condicionado e desumidificadores ligados ininterruptamente.
Luz e prevenção de sinistros
A luz, sobretudo a radiação ultravioleta (UV) e a infravermelha (IR), desbota tintas e enfraquece as fibras do papel. O avaliador confere se há luz solar direta sobre os documentos e propõe persianas, filtros UV nas janelas e iluminação artificial controlada, com baixa intensidade nas áreas de guarda.
A segurança contra sinistros também entra no relatório. O espaço tem portas corta-fogo? Os extintores são adequados ao acervo, como os de gás carbônico, que não molham o papel? Há fiação exposta, infiltrações ou canos passando sobre as estantes? Cada risco encontrado gera uma recomendação específica.
Como o diagnóstico avalia mobiliário e acondicionamento?
O segundo pilar examina onde os documentos ficam dentro do espaço físico e como estão embalados. Um bom prédio com mobiliário inadequado continua colocando o acervo em risco.
Estantes de aço e arquivos deslizantes
Móveis de madeira devem ser substituídos: a madeira retém umidade, libera ácidos que atacam o papel e atrai insetos xilófagos, como os cupins. O diagnóstico verifica se a instituição usa estantes de aço com pintura eletrostática, que resistem à corrosão e não soltam resíduos.
Em acervos grandes com pouco espaço, a recomendação costuma ser o arquivo deslizante, formado por estantes móveis sobre trilhos. Ao eliminar os corredores fixos, ele aumenta muito a capacidade de guarda na mesma área e ainda protege os documentos da luz e da poeira. A escolha do mobiliário também depende da forma de guarda, assunto detalhado em arquivamento vertical e horizontal.

Caixas, pastas e materiais inertes
O diagnóstico desce ao nível da caixa. Caixas de papelão ácido, pastas com elásticos e barbantes velhos cortam, mancham e deformam os documentos com o tempo. Clipes e grampos metálicos enferrujam e deixam marcas permanentes.
A proposta de reorganização envolve substituir esses materiais por caixas de polipropileno corrugado ou de papelão alcalino, trocar elásticos por cadarço de algodão cru e retirar de forma sistemática clipes e grampos de metal.
Como medir o acúmulo documental em metros lineares?
Não dá para gerenciar o que não se mede. A forma de calcular o volume do acervo é um dos pontos mais cobrados em prova sobre diagnóstico, porque é esse número que define quantas caixas, estantes e metros quadrados a reorganização vai exigir. A unidade padrão da Arquivologia é o metro linear.
Documentos em estantes, pilhas e gavetas
Caixas em estantes: mede-se a extensão ocupada em cada prateleira e somam-se as prateleiras, ignorando os espaços vazios. Uma estante com 6 prateleiras ocupadas em 0,90 m cada soma 6 x 0,90 = 5,40 metros lineares.
Documentos empilhados: mede-se a altura da pilha. Uma pilha de 30 cm equivale a 0,30 metro linear.
Gavetas de aço: mede-se a profundidade ocupada pelos papéis ou pelas pastas suspensas dentro da gaveta.
Documentos amontoados: de m³ para metros lineares
Quando o avaliador encontra sacos cheios de processos ou montes irregulares no chão, mede comprimento, largura e altura do monte para obter o volume em metros cúbicos (m³) e depois multiplica o resultado por 12, o fator de conversão para metros lineares.
Exemplo: um monte de 0,50 m x 0,50 m x 0,30 m tem 0,075 m³. Convertendo, 0,075 x 12 = 0,90 metro linear. O passo a passo dessa conta está no vídeo como converter m³ em metros lineares.
"No diagnóstico de arquivos, para converter metros cúbicos em metros lineares, multiplica-se o volume por 10."
A afirmação está errada. O fator de conversão usado na Arquivologia é 12: cada metro cúbico de documentos corresponde a 12 metros lineares. Somando todas as medições, o relatório mostra à alta administração o tamanho exato do passivo a ser tratado.

O que o diagnóstico avalia nos recursos humanos?
O quarto pilar avalia quem cuida do acervo. Há pessoas em número suficiente? Elas têm formação técnica? É comum o diagnóstico apontar a falta de arquivistas e a lotação de servidores sem treinamento no setor de arquivo.
O trabalho com acervos exige concentração, método, postura ética e noção do valor histórico dos documentos. O relatório também trata da segurança do trabalho: acúmulos antigos trazem poeira, fungos e bactérias, então a proposta de melhoria deve exigir o fornecimento e o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) pela equipe de higienização:
luvas de algodão cru ou de procedimento, que protegem a pele e evitam transferir gordura das mãos para o papel;
máscaras contra poeira e esporos de fungos;
óculos de proteção, toucas e aventais.
Como o diagnóstico orienta o combate a pragas e a limpeza?
A avaliação biológica do espaço é uma das partes mais reveladoras do diagnóstico. Os agentes biológicos se alimentam da celulose, da cola e do amido presentes nos documentos e se multiplicam em ambientes escuros, quentes, úmidos e sujos. O tema se aprofunda no diagnóstico de preservação e conservação.
Sinais de biodeterioração
O avaliador procura vestígios de ataque: asas, excrementos, furos e galerias no papel. Os principais agentes são os tisanuros (traças), os ortópteros (baratas), os coleópteros (besouros conhecidos como brocas) e os isópteros (cupins). Fungos deixam manchas, como as pequenas manchas castanhas chamadas foxing, e deixam as folhas frágeis.
Roedores são duplamente perigosos: roem documentos para fazer ninhos e danificam cabos elétricos, o que aumenta o risco de incêndio. A presença deles costuma estar ligada a restos de comida no local.
Propostas de melhoria e rotinas de limpeza
Para esses problemas, o relatório propõe um Manejo Integrado de Pragas (MIP) e rotinas de limpeza com regras claras:
Higienização a seco: limpeza mecânica dos documentos com trinchas de cerdas macias.
Aspirador com filtro: caixas e lombadas são aspiradas com um tecido fino, como voile ou monyl, preso ao bocal para não sugar fragmentos frágeis.
Proibição de alimentos: nada de comida ou bebida nas áreas de guarda e consulta.
Produtos adequados: piso limpo com produtos não agressivos e estantes de aço limpas com álcool, e não com água, para não elevar a umidade.

Qual é o próximo passo depois do diagnóstico estrutural?
Com o espaço avaliado, o mobiliário revisto, o acúmulo medido e a equipe dimensionada, a instituição tem base para avançar: aplicar a tabela de temporalidade de documentos, eliminar legalmente o que não tem mais valor e organizar o acervo segundo o ciclo vital dos documentos. Para revisar a disciplina inteira, use o guia completo de Arquivologia para concursos.
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Referências Bibliográficas
CONSELHO NACIONAL DE ARQUIVOS (CONARQ). Diagnóstico da situação dos arquivos.
CONSELHO NACIONAL DE ARQUIVOS (CONARQ). Publicações do CONARQ: Recomendações para a construção de arquivos e Recomendações para a produção e o armazenamento de documentos de arquivo.
ARQUIVO NACIONAL. Diagnóstico: Sistema de Gestão de Documentos e Arquivos (SIGA).
Perguntas Frequentes sobre Diagnóstico de Arquivos
Qual é o objetivo do diagnóstico situacional estrutural?
Levantar a situação geral do arquivo e registrar propostas de melhoria e de reorganização do acervo, do espaço físico, do mobiliário e da equipe.
Quais pilares o diagnóstico estrutural analisa?
Espaço físico e climatização, mobiliário e acondicionamento, acúmulo documental medido em metros lineares e recursos humanos.
Como converter metros cúbicos em metros lineares?
Calcula-se o volume (comprimento x largura x altura) em m³ e multiplica-se o resultado por 12. Assim, 1 m³ de documentos equivale a 12 metros lineares.
Qual a diferença entre diagnóstico estrutural e diagnóstico da produção documental?
O estrutural avalia onde e como os documentos estão guardados e quem cuida deles. O da produção documental avalia quais documentos são produzidos, por quem e com qual finalidade.