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20/09/2025 • 12 min de leitura
Atualizado em 23/06/2026

Figuras de Linguagem que Mais Caem.

Quais são as figuras de linguagem que mais caem no enem e em concursos? Elas referem-se aos recursos estilísticos usados para ampliar o significado das palavras. Segundo o Inep (2023), metáfora, ironia, metonímia, antítese e eufemismo representam mais de 60% das cobranças na prova de Linguagens e Códigos.

Estudante adulto concentrado marcando um texto impresso com caneta marca-texto amarela, estudando as principais figuras de linguagem que caem no enem.

O que são e quais são as figuras de linguagem que mais caem no enem?

As figuras de linguagem são recursos expressivos que os autores utilizam para dar mais cor, emoção e profundidade aos textos. Elas fogem do sentido literal (denotativo) das palavras, entrando no campo do sentido figurado (conotativo). Dominar esse assunto é essencial para quem busca a aprovação.

Quando analisamos o histórico de provas, percebemos um padrão claro. As bancas adoram testar a capacidade do candidato de ler nas entrelinhas, especialmente em poemas, crônicas, tirinhas e campanhas publicitárias. Saber identificar a intenção do autor é o que separa o candidato mediano do aprovado.

Para facilitar seus estudos, preparamos uma tabela com as categorias mais cobradas. Ter esse mapa mental claro vai acelerar sua interpretação de textos no dia do exame.

Figura de Linguagem

Categoria

O que faz na prática?

Exemplo Clássico

Metáfora

Palavras

Afirmação baseada em uma comparação implícita.

"A vida é um palco."

Metonímia

Palavras

Substitui um termo por outro com o qual tem relação.

"Li Machado de Assis."

Ironia

Pensamento

Diz o oposto do que realmente se quer expressar.

"Que belo comportamento o seu!"

Antítese

Pensamento

Aproxima palavras com sentidos opostos.

"Tristeza não tem fim, felicidade sim."

Eufemismo

Pensamento

Suaviza uma expressão desagradável ou chocante.

"Ele partiu dessa para melhor."

Figuras de Palavras: O Jogo dos Significados

As figuras de palavras, também chamadas de figuras semânticas, ocorrem quando uma palavra é usada em um sentido diferente do seu significado original. Isso acontece muito na literatura brasileira, onde os autores brincam com as associações mentais do leitor.

Muitos candidatos se perguntam sobre as figuras de linguagens que mais caem no enem dentro dessa categoria. A resposta invariavelmente aponta para a dupla dinâmica: metáfora e metonímia. Elas são a base da construção poética e publicitária.

Metáfora e Comparação

A metáfora é, sem dúvida, a rainha das figuras de estilo. Ela consiste em transferir o significado de uma palavra para outra, criando uma comparação mental sem usar conectivos (como, tal qual, parece). É uma afirmação direta que exige do leitor a percepção da semelhança.

"Meu pensamento é um rio subterrâneo." (Fernando Pessoa)

Neste exemplo, o poeta não diz que o pensamento é como um rio, ele afirma que é um rio. A intenção é transmitir a ideia de profundidade, fluxo contínuo e algo que corre oculto sob a superfície. Se houvesse a palavra "como", teríamos uma Comparação (ou Símile), que é uma figura mais simples e direta.

Metonímia

A metonímia é a arte da substituição lógica. Você troca uma palavra por outra porque existe uma relação de proximidade ou dependência real entre elas. É muito comum no nosso dia a dia e as bancas adoram colocar isso em tirinhas de humor.

"O fazendeiro possuía dez mil cabeças de gado."

Aqui, "cabeças" substitui o animal inteiro (a parte pelo todo). Outros exemplos clássicos incluem trocar o autor pela obra ("Ouvir Mozart"), a marca pelo produto ("Comprar Bombril") ou o continente pelo conteúdo ("Bebeu dois copos de água"). Entender essa substituição é vital para resolver questões sobre os critérios das bancas para textos de interpretação.

Figuras de Pensamento: A Lógica Invertida

Enquanto as figuras de palavras brincam com o vocabulário, as figuras de pensamento operam no nível das ideias. Elas exigem que o leitor compreenda o contexto global da frase ou do parágrafo para captar a verdadeira mensagem.

Se você está mapeando as principais figuras de linguagem que caem no enem, precisa dar atenção especial a este grupo. Elas são frequentemente usadas em textos argumentativos, crônicas jornalísticas e charges políticas para gerar reflexão ou humor.

Ironia e Antítese

A ironia é a figura do sarcasmo elegante. Ela ocorre quando o autor escreve exatamente o contrário do que pensa, geralmente com tom de deboche ou crítica. Machado de Assis é o mestre absoluto desse recurso.

"Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis." (Machado de Assis)

Neste trecho de Memórias Póstumas de Brás Cubas, a ironia reside em associar o verbo "amar" a uma quantia em dinheiro, revelando que o sentimento era, na verdade, puro interesse financeiro.

Já a antítese trabalha com o contraste direto. É a aproximação de palavras ou ideias opostas na mesma frase para reforçar uma mensagem, sem que essas ideias se anulem. Expressões como "dia e noite", "claro e escuro", "vida e morte" são a base da antítese.

Lâmpada brilhante sobre um livro aberto representando ideias e o sentido figurado, essencial para entender a figura de linguagem que mais caem no enem.

Paradoxo e Eufemismo

O paradoxo vai um passo além da antítese. Enquanto a antítese apenas aproxima opostos, o paradoxo funde ideias contraditórias em um mesmo pensamento, criando uma aparente falta de lógica que, poeticamente, faz sentido.

"Amor é fogo que arde sem se ver; / É ferida que dói, e não se sente;" (Luís de Camões)

Como uma ferida pode doer e não ser sentida ao mesmo tempo? Logicamente é impossível, mas poeticamente expressa a confusão e a complexidade do amor. É uma das figuras de linguagens que caem no enem com altíssima frequência nas provas de literatura.

O eufemismo, por sua vez, é o amortecedor da linguagem. Ele é usado para atenuar notícias ruins, tabus ou expressões rudes. Dizer que alguém "faltou com a verdade" em vez de chamar a pessoa de mentirosa é um exemplo clássico de eufemismo.

Figuras de Sintaxe: A Estrutura Alterada

As figuras de sintaxe (ou de construção) mexem na estrutura gramatical da frase. Elas invertem a ordem das palavras, omitem termos ou repetem expressões propositalmente para dar ritmo ou ênfase ao texto.

Embora sejam um pouco mais técnicas, elas aparecem constantemente em textos clássicos e hinos. Compreender a estrutura das frases ajuda não apenas na interpretação, mas também na elaboração de redações mais ricas.

Elipse e Pleonasmo

A elipse é a omissão de um termo que pode ser facilmente subentendido pelo contexto. Ela deixa o texto mais ágil e direto, evitando repetições desnecessárias.

"Na sala, apenas quatro ou cinco convidados."

Nesta frase, o verbo "havia" (ou "estavam") foi omitido. A mente do leitor preenche a lacuna automaticamente. Quando a omissão é de um termo que já foi citado anteriormente no texto, damos o nome específico de Zeugma.

O pleonasmo é o oposto: é a repetição de uma ideia para dar ênfase. Cuidado, pois existe o pleonasmo vicioso (subir para cima, entrar para dentro), que é um erro gramatical, e o pleonasmo literário, que é um recurso estilístico válido.

"E rir meu riso e derramar meu pranto" (Vinícius de Moraes)

"Rir o riso" é uma redundância proposital usada pelo poeta para intensificar a emoção do momento. É um recurso poderoso quando usado com intenção artística.

Como as Bancas Cobram o Sentido Figurado na Prática?

Saber a teoria é apenas o primeiro passo. O verdadeiro desafio é aplicar esse conhecimento na hora da prova. As bancas não costumam pedir apenas para você classificar a figura; elas querem saber se você entende o efeito de sentido que ela provoca no texto.

Para dominar as figuras de linguagem que mais caem, você precisa adotar uma postura ativa durante a leitura. Veja os passos práticos para identificar essas estruturas:

  1. Analise o gênero textual: Poemas e músicas tendem a usar metáforas e paradoxos. Charges e tirinhas abusam da ironia e da metonímia.

  2. Busque a quebra de expectativa: Se uma palavra parece fora de contexto no sentido literal, ela provavelmente está no sentido figurado.

  3. Identifique a intenção do autor: Pergunte-se: o autor quer exagerar (hipérbole), suavizar (eufemismo) ou criticar (ironia)?

  4. Observe as alternativas: Muitas vezes, a banca coloca o nome da figura de linguagem que mais caem no enem misturado com a explicação do seu efeito no texto.

Treinar com resolução de questões anteriores é a melhor forma de internalizar esse processo. Quanto mais você lê e analisa, mais natural se torna a identificação desses recursos.

Estratégia Final para Dominar a Interpretação de Textos

A compreensão profunda dos recursos estilísticos é uma ferramenta poderosa para qualquer candidato. Não se trata de decorar nomes difíceis, mas de entender como a língua portuguesa é flexível e rica em significados.

Ao revisar seus materiais de apoio, foque em ler os textos prestando atenção nas escolhas de palavras dos autores. Tente reescrever frases figuradas para o sentido literal e perceba o quanto o texto perde em expressividade.

A constância é o segredo. Acesse a plataforma Volitivo diariamente, resolva exercícios focados em interpretação e construa seu repertório de leitura. Com o tempo, identificar uma metáfora ou uma ironia será tão natural quanto ler o seu próprio nome.

Referências Bibliográficas

Para a construção deste guia, foram consultadas fontes oficiais e gramáticas normativas reconhecidas pelas principais bancas examinadoras do país:

  • BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 39ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019.

  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7ª ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2016.

  • INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Matriz de Referência de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Brasília, 2023.

Perguntas Frequentes sobre Figuras de Linguagem

Qual a diferença entre metáfora e comparação?

A comparação utiliza conectivos explícitos (como, tal qual, assim como) para aproximar dois elementos. A metáfora faz essa aproximação de forma direta e implícita, afirmando que uma coisa é a outra, sem usar as palavras de conexão.

Por que a ironia é tão cobrada em provas de concursos?

A ironia exige um alto nível de compreensão leitora. Para identificá-la, o candidato precisa entender o contexto, o tom do texto e o conhecimento de mundo envolvido, provando que consegue ler além do sentido literal das palavras.

O que é uma hipérbole e como identificá-la?

A hipérbole é a figura do exagero intencional. Ela é usada para intensificar uma ideia ou sentimento. Frases cotidianas como "estou morrendo de fome" ou "já te avisei um milhão de vezes" são exemplos clássicos de hipérbole.

Como diferenciar antítese de paradoxo?

A antítese apenas coloca palavras de sentidos opostos na mesma frase (ex: o bem e o mal). O paradoxo une ideias opostas em um único pensamento que parece ilógico ou impossível na realidade (ex: o silêncio ensurdecedor).

Onde posso encontrar mais exercícios sobre os tipos de texto e figuras de linguagem?

Você pode encontrar baterias completas de exercícios e materiais teóricos aprofundados na seção de suporte e questões da Volitivo, filtrando especificamente pela disciplina de Língua Portuguesa e Interpretação de Textos.

Curadoria Técnica e Validação Pedagógica

Este conteúdo foi estruturado e validado tecnicamente por Edson Braga (COPPE/UFRJ) e pela equipe interdisciplinar da Volitivo. A revisão assegura a precisão de conceitos fundamentais abordados no artigo, como o paradoxo, o sentido conotativo e a metonímia, garantindo que o material atenda à profundidade analítica exigida pelas bancas mais rigorosas e às competências do INEP/ENEM. Nosso compromisso é entregar rigor técnico e segurança conceitual para a resolução de questões de alto rendimento.