
A gestão de documentos é um dos pilares fundamentais para o funcionamento de qualquer instituição, seja ela pública ou privada. Em um mundo onde a produção de dados e informações cresce de forma exponencial, saber como criar, tramitar, usar e arquivar documentos não é apenas uma questão de organização, mas um dever estratégico e legal.
Neste artigo, vamos explorar detalhadamente o que envolve esse conjunto de procedimentos, as fases que compõem o ciclo de vida documental e como a aplicação correta dessas técnicas pode garantir transparência, economia e preservação da memória institucional.
De forma técnica, a gestão de documentos é definida como o conjunto de procedimentos e operações técnicas referentes à produção, tramitação, uso, avaliação e arquivamento de documentos. Esse processo deve ocorrer obrigatoriamente nas chamadas fases corrente e intermediária, visando um objetivo claro: decidir se o documento será eliminado ou recolhido para a guarda permanente.
Gerir documentos significa garantir que a informação esteja disponível no lugar certo, na hora certa, para as pessoas certas e com o menor custo possível. É um instrumento de apoio à administração, à cultura, ao desenvolvimento científico e, acima de tudo, um elemento de prova e informação para o cidadão.
Para facilitar o entendimento e a aplicação prática, a doutrina arquivística divide a gestão de documentos em três fases principais. Um recurso comum para memorizar essas fases é a ideia de que o documento precisa ser produzido, utilizado e, por fim, destinado.
A produção refere-se à elaboração dos documentos em decorrência das atividades de um órgão ou empresa. O foco aqui é a racionalização. Os gestores devem atuar para que sejam criados apenas os documentos essenciais, evitando duplicidade e a emissão de vias desnecessárias.
Nesta etapa, as atividades incluem:
• Gestão de formulários.
• Otimização de recursos reprográficos e informáticos.
• Definição de normas e diretrizes para a criação de documentos.
Uma vez criado, o documento precisa cumprir sua função. Esta fase envolve o controle, o uso e o armazenamento dos documentos necessários para as atividades da instituição. É aqui que o fluxo documental se torna mais intenso, exigindo controles rigorosos de protocolo e expedição.
As principais atividades nesta fase são:
• Protocolo: recebimento, classificação, registro e controle da tramitação.
• Recuperação da informação: garantia de que o documento possa ser localizado rapidamente.
• Arquivamento: guarda temporária enquanto o documento ainda é consultado com frequência.
Esta é a fase final da gestão, onde se define o destino do documento após ele cumprir sua função administrativa inicial. Com base em um processo de avaliação, decide-se por dois caminhos:
• Eliminação: Destruição física do documento que não possui valor histórico ou legal que justifique sua guarda definitiva.
• Recolhimento: Envio do documento para o arquivo permanente, onde ele será preservado para sempre devido ao seu valor histórico ou cultural.
O conceito de gestão de documentos é inseparável da Teoria das Três Idades, que descreve o ciclo de vida dos documentos de acordo com a sua frequência de uso e valor.
São os documentos de uso frequente, em tramitação ou não, que possuem valor administrativo, jurídico, fiscal ou legal (valor primário). Eles devem ficar próximos aos setores produtores para facilitar a consulta rápida.
Quando o uso do documento se torna pouco frequente, mas ele ainda precisa ser guardado por razões legais ou administrativas, ele vai para o arquivo intermediário. É uma fase de transição, onde o documento aguarda o cumprimento de prazos para ser eliminado ou recolhido. A vantagem aqui é a economia de espaço e equipamentos em áreas nobres da administração.
Nesta fase, o documento já perdeu seu valor administrativo original, mas ganhou valor secundário (histórico, científico ou informativo). Documentos permanentes são inalienáveis e nunca devem ser eliminados. Eles passam a pertencer ao patrimônio cultural e devem ser acessíveis a toda a sociedade.
Para que a gestão funcione, o arquivista utiliza dois instrumentos técnicos principais:
1. Plano de Classificação de Documentos (PCD): É o esquema que distribui os documentos em classes e subclasses de acordo com as funções e atividades da instituição. Ele serve como o "mapa" para organizar e recuperar as informações.
2. Tabela de Temporalidade (TTD): É o instrumento que determina por quanto tempo o documento deve ficar no arquivo corrente e no intermediário, além de definir sua destinação final (eliminação ou guarda permanente).
Atualmente, a gestão não se limita ao papel. Os documentos nato-digitais exigem cuidados específicos devido à obsolescência tecnológica e à facilidade de alteração dos dados.
Para garantir a autenticidade (identidade e integridade) dos documentos digitais, é necessário utilizar sistemas específicos:
• SIGAD (Sistema Informatizado de Gestão Arquivística de Documentos): Utilizado para gerir os documentos nas fases corrente e intermediária.
• RDC-Arq (Repositório Arquivístico Digital Confiável): Ambiente seguro para a preservação de longo prazo dos documentos de valor permanente.
Manter a cadeia de custódia ininterrupta é essencial para que um documento digital continue tendo valor de prova legal no futuro.
A gestão documental não é um processo "tudo ou nada"; ela pode ser aplicada em diferentes níveis, dependendo da maturidade da instituição:
• Nível Mínimo: Programas de retenção e eliminação e procedimentos de recolhimento.
• Nível Intermediário: Inclui o nível mínimo, além de gestão de formulários e sistemas de arquivo corrente.
• Nível Máximo: Envolve o controle total, incluindo diretrizes administrativas, automação e gestão de telecomunicações.
Os grandes benefícios de uma gestão bem feita incluem a redução da massa documental (estima-se que apenas 2% a 5% dos documentos produzidos devem ser guardados para sempre), o acesso ágil à informação, a transparência administrativa e o pleno exercício da cidadania.
Implementar a gestão de documentos é transformar o arquivo de um "depósito de papéis" em um centro estratégico de informações. Através do respeito ao ciclo vital e do uso de tabelas de temporalidade, as instituições conseguem operar com mais eficiência, segurança jurídica e economia de recursos.
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