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Diagnóstico da Produção Documental: Guia para Concursos
Diagnóstico da produção documental é a pesquisa que levanta quais documentos cada setor produz, por que, como tramitam e por quanto tempo devem ser guardados. É a primeira etapa da gestão documental, em três passos (legislação, entrevistas e análise dos dados), e subsidia o código de classificação e a TTD.

Pilhas de caixas sem identificação, armários lotados e servidores que gastam horas atrás de um simples ofício são sintomas de um órgão sem programa de gestão de documentos. A saída não é comprar mais caixas nem alugar um galpão maior: é investigar a origem dos documentos antes de organizá-los. Este guia mostra a metodologia do levantamento, o formulário em dois módulos e o que as bancas cobram sobre o tema.
Índice
O que é o diagnóstico da produção documental?
Por que o diagnóstico é a base da gestão de documentos?
Quais são os passos do levantamento documental?
Como é o formulário de levantamento da produção documental?
Qual a diferença entre atividade-meio e atividade-fim no diagnóstico?
Como medir o volume do acervo?
Por que fazer o diagnóstico antes do SIGAD e da digitalização?
Como o diagnóstico prepara a avaliação de documentos?
Prefere revisar em vídeo? Assista à aula sobre diagnóstico de arquivos no canal do Volitivo no YouTube:
O que é o diagnóstico da produção documental?
O levantamento da produção documental, também chamado de diagnóstico documental, é uma fase de pesquisa. Ele é o primeiro passo para elaborar os instrumentos de gestão e busca informações detalhadas sobre os documentos produzidos e recebidos pelas unidades administrativas de um órgão no exercício de suas funções e atividades.
Na prática, a equipe de arquivo atua como um detetive. Antes de organizar a desordem, ela precisa entender de onde a desordem vem. Não há como classificar um documento ou definir seu prazo de guarda sem saber por que ele foi criado, quem o criou e qual caminho percorreu dentro da instituição. Esse olhar sobre a origem é o que liga o diagnóstico à gestão de documentos como um todo.
Durante a investigação, a equipe reúne as atividades de cada setor e a tipologia documental gerada por elas. Também registra o trâmite, a forma de organização atual, o número de vias e cópias, a frequência de consulta e os prazos de guarda e a destinação que os próprios usuários propõem para cada documento.
Por que o diagnóstico é a base da gestão de documentos?
Ninguém constrói uma casa sem analisar o terreno e desenhar a planta. Um programa de gestão documental exige planejamento, organização, coordenação e controle, e o levantamento documental é o que dá base real a esse planejamento. Sem ele, as decisões sobre guarda e eliminação viram palpite.
A tabela abaixo resume os objetivos do diagnóstico e o efeito de cada um no dia a dia do órgão.
Objetivo | O que muda na prática |
|---|---|
Racionalizar a produção | Evita documentos desnecessários e cópias em excesso |
Controlar o trâmite | Encurta o caminho do documento e permite acompanhar a destinação |
Otimizar a recuperação | Reduz o tempo gasto na busca de informações |
Preparar a tecnologia | Define critérios para digitalização e implantação de SIGAD |
Subsidiar os instrumentos técnicos | Fornece dados para o código de classificação e a TTD |
O último objetivo é o que mais aparece em prova. É do diagnóstico que saem os dados usados na tabela de temporalidade de documentos, que define quanto tempo cada tipo documental fica em cada fase e qual será sua destinação final.
Quais são os passos do levantamento documental?
O diagnóstico não pode ser feito no improviso. Para que as informações permitam montar um esquema que contemple todos os documentos gerados pelas competências do órgão, a metodologia segue três etapas em ordem.
Passo 1: pesquisa da legislação em vigor
O arquivo de uma instituição reflete as suas funções. Um hospital produz prontuários; uma universidade produz históricos escolares. Por isso, a primeira etapa é pesquisar leis, decretos, portarias, regimentos internos e demais atos normativos que tratam da estrutura, das funções e das atividades do órgão analisado.
Sem conhecer a norma que obriga um setor a executar uma tarefa, o avaliador não consegue explicar por que certos documentos existem. É o regimento interno que diz o que cada setor faz, e o documento é a materialização dessa ação.
Passo 2: entrevistas e aplicação de formulários
A pesquisa legal dá a teoria; os problemas aparecem na rotina. A segunda etapa consiste em entrevistar os técnicos responsáveis pelas unidades administrativas, usando um formulário padronizado de levantamento da produção documental.

O entrevistador, que já conhece a estrutura do órgão, pergunta a quem lida com os documentos todos os dias: que documentos o setor produz, por que os produz, qual caminho eles percorrem e por quanto tempo acha que devem ser guardados. Esse caminho inclui a passagem pelo protocolo na arquivologia, que registra a entrada e a movimentação dos documentos.
Passo 3: processamento e análise dos dados
Com os formulários preenchidos, chega a hora da compilação. O resultado do levantamento são relatórios analíticos que mostram como cada unidade produz, tramita e acumula seus documentos.

É a partir desses relatórios que a Comissão Permanente de Avaliação de Documentos (CPAD) reúne os subsídios para elaborar os instrumentos de classificação e avaliação. Veja como as bancas costumam explorar essa sequência:
"O diagnóstico da produção documental dispensa entrevistas com os servidores, bastando a leitura do regimento interno do órgão."
A afirmação está errada. A pesquisa da legislação é só o primeiro passo. As entrevistas com formulário padronizado são indispensáveis, porque revelam o trâmite real, o número de cópias e a frequência de uso, informações que nenhuma norma descreve.
Como é o formulário de levantamento da produção documental?
O formulário clássico de coleta se divide em dois módulos. O primeiro descreve o setor; o segundo descreve cada documento produzido por ele.
Módulo I: a unidade produtora
O Módulo I trata da unidade administrativa que produz a informação. O preenchimento deve ser rigoroso e conter:
Órgão/entidade e unidade administrativa: nome por extenso da área visitada, como "Coordenação-Geral de Gestão de Documentos".
Funções: as finalidades da unidade, como planejar, implementar e supervisionar atividades.
Atividades: as ações que concretizam cada função; uma função pode ter várias atividades, como prestar orientação técnica e analisar códigos.
Legislação: as normas que regulam essas atividades.
Entrevistado e entrevistador: quem prestou a informação e quem a registrou, o que garante a rastreabilidade.
Módulo II: o documento
Para cada atividade do Módulo I, preenchem-se vários Módulos II, um para cada tipo documental gerado por ela. Aqui entra a distinção entre espécie e tipo, detalhada no post sobre espécie e tipologia documental.
Documento (tipologia): nome exato e dados de forma e conteúdo, como "processo de análise de listagem de eliminação".
Tramitação: o percurso do documento da produção ao cumprimento de sua função, passo a passo. Exemplo: o protocolo recebe, encaminha ao setor X, o setor X emite parecer e a chefia aprova.
Organização e cópias: o método de arquivamento usado e o número de vias e cópias, com o local onde cada via fica. Isso revela duplicações inúteis.
Frequência de uso: consulta diária, semanal, mensal ou anual após o fim do trâmite, dado que orienta a passagem da fase corrente para a intermediária.
Prazos de guarda sugeridos: o tempo que o setor considera adequado nas fases corrente e intermediária, com justificativa administrativa ou legal.
Destinação final sugerida: eliminação ou guarda permanente, conforme o valor do documento.
O campo de organização costuma registrar se o setor usa ordem alfabética, numérica ou cronológica, assunto que aparece nos métodos de arquivamento e ordenação. Com os módulos agrupados por atividade, o diagnóstico fica pronto para virar uma tabela de temporalidade oficial pelas mãos da comissão.
Qual a diferença entre atividade-meio e atividade-fim no diagnóstico?
A atividade-meio dá suporte ao funcionamento da instituição: recursos humanos, finanças, compras, patrimônio. Na administração pública federal, essas áreas já contam com código de classificação e tabela de temporalidade aprovados pelo Arquivo Nacional. Nesse caso, o diagnóstico serve para encontrar documentos próprios do órgão que não estejam previstos nesses instrumentos; o órgão propõe os prazos e submete à autoridade arquivística.
A atividade-fim decorre do objetivo principal da instituição, como a concessão de licenças ambientais no IBAMA. Como essas atividades são exclusivas, não há tabela pronta. O levantamento da produção documental é a única forma de obter os dados para criar do zero o código de classificação e a tabela de temporalidade da atividade-fim.
Como medir o volume do acervo?
Saber o que se produz é metade do trabalho; a outra metade é saber quanto já está acumulado. A mensuração do acervo, parte do diagnóstico situacional e estrutural de arquivos, orienta o planejamento de espaço e a compra de mobiliário. O resultado é expresso em metros lineares:
Situação do documento | Como medir |
|---|---|
Na vertical, em caixas | Extensão ocupada na prateleira multiplicada pelo número de prateleiras, sem contar espaços vazios |
Empilhado | Altura das pilhas |
Em fichários | Profundidade ocupada nas gavetas |
Amontoado ou em sacos | Metragem cúbica (comprimento x altura x largura) multiplicada por 12 |
A conversão de metros cúbicos em lineares (1 m³ equivale a cerca de 12 metros lineares) é cobrada em cálculo direto. Se quiser treinar, há uma aula sobre como converter m³ em metros lineares no canal. Unido ao diagnóstico intelectual, esse levantamento físico mostra o tamanho do problema a enfrentar.

Por que fazer o diagnóstico antes do SIGAD e da digitalização?
O formato digital facilitou produzir e transmitir documentos. Mas o órgão que implanta um Sistema Informatizado de Gestão Arquivística de Documentos (SIGAD) sem diagnóstico prévio apenas automatiza a desordem.
O sucesso de qualquer sistema eletrônico, seja um SIGAD ou um simples GED, depende de um programa de gestão de documentos já implantado, e esse programa se apoia no diagnóstico. É ele que informa à equipe de TI como os documentos se relacionam, quais tipos documentais são válidos e quais metadados (autoria, data, classificação) o sistema deve exigir na produção do documento nato-digital.
A mesma regra vale para a digitalização. Digitalizar papéis sem critério é um erro comum. A recomendação técnica é identificar, avaliar e classificar os documentos antes, para que só o que tem valor, corrente ou histórico, justifique o custo da mudança de suporte. Documentos já vencidos na teoria das três idades podem ser eliminados em vez de digitalizados.
Como o diagnóstico prepara a avaliação de documentos?
O diagnóstico da produção documental é a ponte entre o caos informacional e a transparência administrativa. Com pesquisa legal e entrevistas estruturadas, a equipe entende a função de cada documento, racionaliza rotinas, economiza recursos e cria tabelas de temporalidade que funcionam: o que não tem valor é eliminado legalmente e o que tem valor primário e secundário é preservado.
Para ver como o tema se encaixa no restante da disciplina, consulte o guia completo de arquivologia para concursos. Na plataforma de estudos do Volitivo você encontra trilhas e revisões, resolve questões gratuitas de arquivologia e acessa todo o material de apoio para concursos.
Referências Bibliográficas
BRASIL. Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991. Dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados. Disponível em: Planalto, Lei 8.159/1991.
BRASIL. Decreto nº 10.148, de 2 de dezembro de 2019. Institui a Comissão de Coordenação do Sistema de Gestão de Documentos e Arquivos da administração pública federal. Disponível em: Planalto, Decreto 10.148/2019.
ARQUIVO NACIONAL. Manual de levantamento da produção documental. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional. Disponível em: Arquivo Nacional.
Perguntas Frequentes sobre Diagnóstico da Produção Documental
Qual é o primeiro passo do diagnóstico da produção documental?
A pesquisa da legislação em vigor: leis, decretos, portarias e regimentos que definem a estrutura, as funções e as atividades do órgão. Depois vêm as entrevistas com formulário e a análise dos dados.
Quais são os módulos do formulário de levantamento?
O Módulo I descreve a unidade produtora (funções, atividades, legislação e entrevistados). O Módulo II descreve cada tipo documental (tramitação, cópias, frequência de uso, prazos e destinação sugeridos).
Quem usa os resultados do diagnóstico?
A Comissão Permanente de Avaliação de Documentos (CPAD), que transforma os relatórios analíticos no código de classificação e na tabela de temporalidade e destinação de documentos.
Como converter metros cúbicos em metros lineares?
Calcula-se o volume (comprimento x altura x largura) da documentação amontoada e multiplica-se o resultado por 12. Assim, 2 m³ equivalem a cerca de 24 metros lineares.