10 min de leitura
Atualizado em
Teoria de Herzberg: Teoria dos Dois Fatores para Concursos
Teoria de Herzberg é o modelo que divide os fatores do trabalho em higiênicos, que evitam insatisfação, e motivacionais, que geram satisfação. Proposta por Frederick Herzberg (The Motivation to Work, 1959), ela é tema recorrente de Gestão de Pessoas em concursos.

Neste material você vai ver a origem da teoria, a diferença entre os dois grupos de fatores, a pegadinha clássica das bancas sobre salário e chefia, a relação com a pirâmide de Maslow e a técnica do enriquecimento de cargos.
Índice
O que são os fatores higiênicos?
O que são os fatores motivacionais?
Qual é a pegadinha mais cobrada sobre Herzberg?
Qual a diferença entre Herzberg e Maslow?
O que é o enriquecimento de cargos?
Como revisar a Teoria de Herzberg para a prova?
Perguntas Frequentes sobre a Teoria de Herzberg
Prefere revisar em vídeo? Assista à aula sobre a Teoria dos Dois Fatores no canal do Volitivo no YouTube.
O que é a Teoria de Herzberg?
A Teoria de Herzberg, também chamada de Teoria dos Dois Fatores ou teoria bifatorial, explica a motivação no trabalho, tema central de gestão de pessoas, a partir de dois grupos independentes de fatores. Um grupo está ligado ao ambiente que cerca a pessoa; o outro, ao conteúdo do cargo e ao que ela sente ao realizar a tarefa.
A ideia central é que o oposto de satisfação não é a insatisfação, e sim a ausência de satisfação. Da mesma forma, o oposto de insatisfação é apenas a ausência de insatisfação. Por isso, melhorar o ambiente não leva automaticamente o servidor a ficar motivado.
Como surgiu a Teoria dos Dois Fatores?
No fim da década de 1950, o psicólogo Frederick Herzberg e sua equipe entrevistaram cerca de 200 engenheiros e contadores. A pergunta central era quais situações no trabalho tinham causado extrema satisfação e quais tinham causado extrema insatisfação.
O padrão encontrado foi inesperado: o que deixava as pessoas satisfeitas não era o contrário do que as deixava insatisfeitas. Antes disso, acreditava-se que satisfação e insatisfação estavam numa mesma linha reta, e que resolver um incômodo (como o calor no escritório) empurraria o funcionário direto para a motivação. Herzberg mostrou que são duas escalas separadas.
Critério | Fatores higiênicos | Fatores motivacionais |
|---|---|---|
Outros nomes | Extrínsecos, de manutenção | Intrínsecos, satisfacientes |
Onde estão | Contexto e ambiente do cargo | Conteúdo do cargo e tarefa |
Quem controla | A organização | Em grande parte, o próprio indivíduo |
Se estiverem ausentes | Geram insatisfação | Geram ausência de satisfação |
Se estiverem presentes | Apenas evitam insatisfação | Geram satisfação e motivação |
Exemplos | Salário, chefia, condições físicas, políticas da empresa | Trabalho em si, reconhecimento, responsabilidade, crescimento |

O que são os fatores higiênicos?
Os fatores higiênicos, ou fatores extrínsecos, estão relacionados ao contexto do trabalho e ao ambiente em que o colaborador está inserido. São administrados e decididos pela organização, fora do controle direto do trabalhador.
O nome vem de uma analogia com a saúde. Um ambiente limpo e higienizado não deixa ninguém mais forte; apenas evita que a pessoa adoeça. No trabalho, esses fatores funcionam do mesmo jeito: previnem o problema, mas não criam entusiasmo. Os principais exemplos são:
Salário e remuneração;
Estilo de supervisão e chefia;
Condições físicas e ambientais (iluminação, conforto, equipamentos);
Relacionamento interpessoal com colegas e superiores;
Segurança e estabilidade no emprego;
Políticas e diretrizes da organização.
Quando esses elementos são ruins, geram forte insatisfação: salário baixo, ambiente insalubre e chefia tóxica deixam qualquer equipe frustrada (o papel do chefe é estudado nos tipos de liderança). Mas, se a organização corrigir tudo isso, pagando bem, reformando o escritório e treinando os chefes, a equipe não passa a ficar motivada. Ela apenas deixa de estar insatisfeita e chega a um ponto de neutralidade.
Por que o salário não motiva segundo Herzberg?
No senso comum, o dinheiro parece o maior motivador de todos. Quem recebe um aumento fica eufórico, mas essa euforia costuma durar pouco: em alguns meses, o novo salário vira o "novo normal" e a atenção volta para as frustrações da rotina.
Na lógica de Herzberg, o salário é uma compensação pelo tempo dedicado ao trabalho. Ele evita reclamações e conflitos, mas não cria engajamento duradouro. Para a prova, guarde: salário é fator higiênico.
O que são os fatores motivacionais?
Se o salário e a estrutura física apenas evitam o sofrimento, a vontade de produzir com excelência vem dos fatores motivacionais, também chamados de fatores intrínsecos. Eles estão ligados ao conteúdo do cargo, à natureza das tarefas e ao sentimento da pessoa em relação ao que faz.
Ao contrário dos higiênicos, que ficam fora da pessoa, os motivacionais dependem da relação dela com a própria profissão. Os exemplos clássicos são:
O trabalho em si (tarefa estimulante e desafiadora);
O reconhecimento pelo bom desempenho;
A possibilidade de crescimento e progresso na carreira;
A autonomia para tomar decisões;
O sentimento de realização;
A delegação de maiores responsabilidades.
Quando estão presentes e bem trabalhados, esses fatores geram satisfação real e efeitos mais duradouros, elevando a produtividade e a criatividade da equipe. Quando faltam, o resultado não é revolta, e sim apatia: a pessoa trabalha sem insatisfação, mas também sem entusiasmo.

Qual é a pegadinha mais cobrada sobre Herzberg?
As bancas exploram o senso comum. Se alguém pergunta o que te motiva, a resposta automática costuma ser "meu salário". Se pergunta o que te desmotiva, vem "meu chefe". Com base nessa lógica do dia a dia, as questões trocam os grupos de fatores.
A regra que derruba candidatos é simples: salário e chefia são fatores higiênicos (apenas evitam insatisfação), enquanto o trabalho em si e o reconhecimento são fatores motivacionais (geram satisfação).

Veja um exemplo típico de assertiva:
"Para aumentar a satisfação e a motivação intrínseca de um servidor desanimado, o diretor concedeu um aumento salarial e trocou as cadeiras do escritório. Segundo a teoria de Herzberg, o diretor utilizou fatores motivacionais."
A afirmação está errada. Aumento salarial e cadeira nova são fatores higiênicos: farão o servidor parar de reclamar do contracheque e das dores nas costas, mas não vão gerar entusiasmo pelo trabalho. Para a assertiva ficar certa, o diretor deveria ter enriquecido o cargo, dado mais autonomia ou reconhecido publicamente uma tarefa bem executada.
Como identificar o fator na hora da prova?
Separe a teoria do seu senso comum e faça duas perguntas. A primeira: o item citado tem a ver com o contexto, o ambiente ou as regras da organização? Se sim (salário, chefe, política interna, ar-condicionado, plano de saúde), é fator higiênico e só evita insatisfação.
A segunda: o item tem a ver com o que a pessoa sente ao executar a tarefa ou com o valor que ela agrega? Se sim (responsabilidade, desafio, progresso na carreira, reconhecimento, o trabalho em si), é fator motivacional e é ele que gera satisfação.
Atenção à troca de nomenclatura: muitas questões usam "extrínseco" como sinônimo de higiênico e "intrínseco" como sinônimo de motivacional. Reconhecer esses termos agiliza a resolução.
Qual a diferença entre Herzberg e Maslow?
Outra estratégia das bancas é misturar a Teoria dos Dois Fatores com a pirâmide de Maslow. As duas teorias se relacionam, mas partem de pontos diferentes: Maslow organiza as necessidades humanas em níveis hierárquicos; Herzberg olha para os fatores do trabalho que geram satisfação ou insatisfação.
Na correlação mais cobrada, os fatores higiênicos (salário, segurança, relações interpessoais) equivalem às necessidades da base da pirâmide: fisiológicas, de segurança e sociais. Os fatores motivacionais (reconhecimento, trabalho em si, crescimento) correspondem ao topo: estima e autorrealização.
Uma diferença que também aparece em prova: em Maslow, uma necessidade satisfeita deixa de motivar e a pessoa passa ao nível seguinte; em Herzberg, os dois grupos são independentes, e atender os higiênicos não produz motivação. Para comparar com outras abordagens comportamentais, veja também as Teorias X e Y de McGregor.
O que é o enriquecimento de cargos?
Se dinheiro não motiva, o que fazer na prática? A resposta do próprio Herzberg, muito cobrada em provas, é o enriquecimento de cargos: substituir tarefas simples e repetitivas por tarefas mais complexas, desafiadoras e com mais responsabilidade.
Em vez de o servidor passar o dia carimbando papéis, a gestão o inclui em decisões (a mesma lógica do sistema participativo nos sistemas administrativos de Likert), pede sua opinião para melhorar os fluxos e confia a ele um pequeno projeto. Assim, a organização atua diretamente sobre os fatores intrínsecos e aumenta a satisfação no cargo.
Qual a diferença entre enriquecimento vertical e horizontal?
O enriquecimento vertical acrescenta tarefas mais complexas e de maior responsabilidade, que antes eram do nível acima (planejar, decidir, controlar). O enriquecimento horizontal acrescenta tarefas diferentes no mesmo nível de complexidade, para diversificar a rotina.
Herzberg defendia o vertical como o verdadeiro enriquecimento, pois só ele aumenta responsabilidade e autonomia. A divisão em vertical e horizontal aparece nos manuais de Administração usados em concursos, então conheça as duas formas.
Como revisar a Teoria de Herzberg para a prova?
A melhor forma de fixar a Teoria dos Dois Fatores é resolver muitas questões anteriores. Ao ler o enunciado, identifique o item citado e classifique: se a assertiva diz que o salário é o grande motivador da equipe, à luz de Herzberg ela está incorreta. Na hora de marcar a alternativa, pense como o teórico, não pela sua experiência pessoal.
Para ampliar a revisão, compare Herzberg com as demais teorias da administração e consulte o guia de Administração para concursos, que reúne toda a matéria.
Conheça a plataforma de estudos do Volitivo, resolva questões gratuitas de Administração e acesse todo o material de apoio para concursos.
Referências Bibliográficas
HERZBERG, Frederick; MAUSNER, Bernard; SNYDERMAN, Barbara Bloch. The Motivation to Work. New York: John Wiley & Sons, 1959.
HERZBERG, Frederick. One More Time: How Do You Motivate Employees? Harvard Business Review, 1968.
CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier.
Perguntas Frequentes sobre a Teoria de Herzberg
Salário é fator motivacional ou higiênico?
Para Herzberg, salário é fator higiênico. Quando é baixo, gera insatisfação; quando é adequado, apenas evita a insatisfação, sem produzir motivação duradoura.
O que é a teoria bifatorial de Herzberg?
É outro nome da Teoria dos Dois Fatores. Ela separa os fatores higiênicos (extrínsecos, ligados ao ambiente) dos motivacionais (intrínsecos, ligados ao conteúdo do cargo).
Qual o oposto de satisfação para Herzberg?
O oposto de satisfação é a ausência de satisfação, e não a insatisfação. Do mesmo modo, o oposto de insatisfação é a ausência de insatisfação.
Quais são os fatores motivacionais no serviço público?
Seguindo Herzberg, são os ligados ao cargo: tarefas desafiadoras, reconhecimento, autonomia, responsabilidade e possibilidade de crescimento. Estabilidade e remuneração, embora valorizadas, são fatores higiênicos.