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Teoria de Herzberg: Teoria dos Dois Fatores para Concursos

Teoria de Herzberg é o modelo que divide os fatores do trabalho em higiênicos, que evitam insatisfação, e motivacionais, que geram satisfação. Proposta por Frederick Herzberg (The Motivation to Work, 1959), ela é tema recorrente de Gestão de Pessoas em concursos.

Teoria de Herzberg: retrato de Frederick Herzberg com o título Teoria dos Dois Fatores, motivação e higiene

Neste material você vai ver a origem da teoria, a diferença entre os dois grupos de fatores, a pegadinha clássica das bancas sobre salário e chefia, a relação com a pirâmide de Maslow e a técnica do enriquecimento de cargos.

Índice

O que é a Teoria de Herzberg?

O que são os fatores higiênicos?

O que são os fatores motivacionais?

Qual é a pegadinha mais cobrada sobre Herzberg?

Qual a diferença entre Herzberg e Maslow?

O que é o enriquecimento de cargos?

Como revisar a Teoria de Herzberg para a prova?

Referências Bibliográficas

Perguntas Frequentes sobre a Teoria de Herzberg

Prefere revisar em vídeo? Assista à aula sobre a Teoria dos Dois Fatores no canal do Volitivo no YouTube.

O que é a Teoria de Herzberg?

A Teoria de Herzberg, também chamada de Teoria dos Dois Fatores ou teoria bifatorial, explica a motivação no trabalho, tema central de gestão de pessoas, a partir de dois grupos independentes de fatores. Um grupo está ligado ao ambiente que cerca a pessoa; o outro, ao conteúdo do cargo e ao que ela sente ao realizar a tarefa.

A ideia central é que o oposto de satisfação não é a insatisfação, e sim a ausência de satisfação. Da mesma forma, o oposto de insatisfação é apenas a ausência de insatisfação. Por isso, melhorar o ambiente não leva automaticamente o servidor a ficar motivado.

Como surgiu a Teoria dos Dois Fatores?

No fim da década de 1950, o psicólogo Frederick Herzberg e sua equipe entrevistaram cerca de 200 engenheiros e contadores. A pergunta central era quais situações no trabalho tinham causado extrema satisfação e quais tinham causado extrema insatisfação.

O padrão encontrado foi inesperado: o que deixava as pessoas satisfeitas não era o contrário do que as deixava insatisfeitas. Antes disso, acreditava-se que satisfação e insatisfação estavam numa mesma linha reta, e que resolver um incômodo (como o calor no escritório) empurraria o funcionário direto para a motivação. Herzberg mostrou que são duas escalas separadas.

Critério

Fatores higiênicos

Fatores motivacionais

Outros nomes

Extrínsecos, de manutenção

Intrínsecos, satisfacientes

Onde estão

Contexto e ambiente do cargo

Conteúdo do cargo e tarefa

Quem controla

A organização

Em grande parte, o próprio indivíduo

Se estiverem ausentes

Geram insatisfação

Geram ausência de satisfação

Se estiverem presentes

Apenas evitam insatisfação

Geram satisfação e motivação

Exemplos

Salário, chefia, condições físicas, políticas da empresa

Trabalho em si, reconhecimento, responsabilidade, crescimento

Fatores higiênicos e motivacionais de Herzberg: balança com salário e ambiente de um lado e conquista e reconhecimento do outro

O que são os fatores higiênicos?

Os fatores higiênicos, ou fatores extrínsecos, estão relacionados ao contexto do trabalho e ao ambiente em que o colaborador está inserido. São administrados e decididos pela organização, fora do controle direto do trabalhador.

O nome vem de uma analogia com a saúde. Um ambiente limpo e higienizado não deixa ninguém mais forte; apenas evita que a pessoa adoeça. No trabalho, esses fatores funcionam do mesmo jeito: previnem o problema, mas não criam entusiasmo. Os principais exemplos são:

  • Salário e remuneração;

  • Estilo de supervisão e chefia;

  • Condições físicas e ambientais (iluminação, conforto, equipamentos);

  • Relacionamento interpessoal com colegas e superiores;

  • Segurança e estabilidade no emprego;

  • Políticas e diretrizes da organização.

Quando esses elementos são ruins, geram forte insatisfação: salário baixo, ambiente insalubre e chefia tóxica deixam qualquer equipe frustrada (o papel do chefe é estudado nos tipos de liderança). Mas, se a organização corrigir tudo isso, pagando bem, reformando o escritório e treinando os chefes, a equipe não passa a ficar motivada. Ela apenas deixa de estar insatisfeita e chega a um ponto de neutralidade.

Por que o salário não motiva segundo Herzberg?

No senso comum, o dinheiro parece o maior motivador de todos. Quem recebe um aumento fica eufórico, mas essa euforia costuma durar pouco: em alguns meses, o novo salário vira o "novo normal" e a atenção volta para as frustrações da rotina.

Na lógica de Herzberg, o salário é uma compensação pelo tempo dedicado ao trabalho. Ele evita reclamações e conflitos, mas não cria engajamento duradouro. Para a prova, guarde: salário é fator higiênico.

O que são os fatores motivacionais?

Se o salário e a estrutura física apenas evitam o sofrimento, a vontade de produzir com excelência vem dos fatores motivacionais, também chamados de fatores intrínsecos. Eles estão ligados ao conteúdo do cargo, à natureza das tarefas e ao sentimento da pessoa em relação ao que faz.

Ao contrário dos higiênicos, que ficam fora da pessoa, os motivacionais dependem da relação dela com a própria profissão. Os exemplos clássicos são:

  • O trabalho em si (tarefa estimulante e desafiadora);

  • O reconhecimento pelo bom desempenho;

  • A possibilidade de crescimento e progresso na carreira;

  • A autonomia para tomar decisões;

  • O sentimento de realização;

  • A delegação de maiores responsabilidades.

Quando estão presentes e bem trabalhados, esses fatores geram satisfação real e efeitos mais duradouros, elevando a produtividade e a criatividade da equipe. Quando faltam, o resultado não é revolta, e sim apatia: a pessoa trabalha sem insatisfação, mas também sem entusiasmo.

Fatores motivacionais de Herzberg: profissionais com símbolos de reconhecimento, crescimento e autonomia

Qual é a pegadinha mais cobrada sobre Herzberg?

As bancas exploram o senso comum. Se alguém pergunta o que te motiva, a resposta automática costuma ser "meu salário". Se pergunta o que te desmotiva, vem "meu chefe". Com base nessa lógica do dia a dia, as questões trocam os grupos de fatores.

A regra que derruba candidatos é simples: salário e chefia são fatores higiênicos (apenas evitam insatisfação), enquanto o trabalho em si e o reconhecimento são fatores motivacionais (geram satisfação).

Teoria dos Dois Fatores de Herzberg: candidato em dúvida entre salário e motivação diante da pegadinha da prova

Veja um exemplo típico de assertiva:

"Para aumentar a satisfação e a motivação intrínseca de um servidor desanimado, o diretor concedeu um aumento salarial e trocou as cadeiras do escritório. Segundo a teoria de Herzberg, o diretor utilizou fatores motivacionais."

A afirmação está errada. Aumento salarial e cadeira nova são fatores higiênicos: farão o servidor parar de reclamar do contracheque e das dores nas costas, mas não vão gerar entusiasmo pelo trabalho. Para a assertiva ficar certa, o diretor deveria ter enriquecido o cargo, dado mais autonomia ou reconhecido publicamente uma tarefa bem executada.

Como identificar o fator na hora da prova?

Separe a teoria do seu senso comum e faça duas perguntas. A primeira: o item citado tem a ver com o contexto, o ambiente ou as regras da organização? Se sim (salário, chefe, política interna, ar-condicionado, plano de saúde), é fator higiênico e só evita insatisfação.

A segunda: o item tem a ver com o que a pessoa sente ao executar a tarefa ou com o valor que ela agrega? Se sim (responsabilidade, desafio, progresso na carreira, reconhecimento, o trabalho em si), é fator motivacional e é ele que gera satisfação.

Atenção à troca de nomenclatura: muitas questões usam "extrínseco" como sinônimo de higiênico e "intrínseco" como sinônimo de motivacional. Reconhecer esses termos agiliza a resolução.

Qual a diferença entre Herzberg e Maslow?

Outra estratégia das bancas é misturar a Teoria dos Dois Fatores com a pirâmide de Maslow. As duas teorias se relacionam, mas partem de pontos diferentes: Maslow organiza as necessidades humanas em níveis hierárquicos; Herzberg olha para os fatores do trabalho que geram satisfação ou insatisfação.

Na correlação mais cobrada, os fatores higiênicos (salário, segurança, relações interpessoais) equivalem às necessidades da base da pirâmide: fisiológicas, de segurança e sociais. Os fatores motivacionais (reconhecimento, trabalho em si, crescimento) correspondem ao topo: estima e autorrealização.

Uma diferença que também aparece em prova: em Maslow, uma necessidade satisfeita deixa de motivar e a pessoa passa ao nível seguinte; em Herzberg, os dois grupos são independentes, e atender os higiênicos não produz motivação. Para comparar com outras abordagens comportamentais, veja também as Teorias X e Y de McGregor.

O que é o enriquecimento de cargos?

Se dinheiro não motiva, o que fazer na prática? A resposta do próprio Herzberg, muito cobrada em provas, é o enriquecimento de cargos: substituir tarefas simples e repetitivas por tarefas mais complexas, desafiadoras e com mais responsabilidade.

Em vez de o servidor passar o dia carimbando papéis, a gestão o inclui em decisões (a mesma lógica do sistema participativo nos sistemas administrativos de Likert), pede sua opinião para melhorar os fluxos e confia a ele um pequeno projeto. Assim, a organização atua diretamente sobre os fatores intrínsecos e aumenta a satisfação no cargo.

Qual a diferença entre enriquecimento vertical e horizontal?

O enriquecimento vertical acrescenta tarefas mais complexas e de maior responsabilidade, que antes eram do nível acima (planejar, decidir, controlar). O enriquecimento horizontal acrescenta tarefas diferentes no mesmo nível de complexidade, para diversificar a rotina.

Herzberg defendia o vertical como o verdadeiro enriquecimento, pois só ele aumenta responsabilidade e autonomia. A divisão em vertical e horizontal aparece nos manuais de Administração usados em concursos, então conheça as duas formas.

Como revisar a Teoria de Herzberg para a prova?

A melhor forma de fixar a Teoria dos Dois Fatores é resolver muitas questões anteriores. Ao ler o enunciado, identifique o item citado e classifique: se a assertiva diz que o salário é o grande motivador da equipe, à luz de Herzberg ela está incorreta. Na hora de marcar a alternativa, pense como o teórico, não pela sua experiência pessoal.

Para ampliar a revisão, compare Herzberg com as demais teorias da administração e consulte o guia de Administração para concursos, que reúne toda a matéria.

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Referências Bibliográficas

HERZBERG, Frederick; MAUSNER, Bernard; SNYDERMAN, Barbara Bloch. The Motivation to Work. New York: John Wiley & Sons, 1959.

HERZBERG, Frederick. One More Time: How Do You Motivate Employees? Harvard Business Review, 1968.

CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier.

Perguntas Frequentes sobre a Teoria de Herzberg

Salário é fator motivacional ou higiênico?

Para Herzberg, salário é fator higiênico. Quando é baixo, gera insatisfação; quando é adequado, apenas evita a insatisfação, sem produzir motivação duradoura.

O que é a teoria bifatorial de Herzberg?

É outro nome da Teoria dos Dois Fatores. Ela separa os fatores higiênicos (extrínsecos, ligados ao ambiente) dos motivacionais (intrínsecos, ligados ao conteúdo do cargo).

Qual o oposto de satisfação para Herzberg?

O oposto de satisfação é a ausência de satisfação, e não a insatisfação. Do mesmo modo, o oposto de insatisfação é a ausência de insatisfação.

Quais são os fatores motivacionais no serviço público?

Seguindo Herzberg, são os ligados ao cargo: tarefas desafiadoras, reconhecimento, autonomia, responsabilidade e possibilidade de crescimento. Estabilidade e remuneração, embora valorizadas, são fatores higiênicos.